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Atualizado às: 14 de julho, 2005 - 21h08 GMT (18h08 Brasília)
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Crise é comum na democracia, diz Amorim

O presidente Lula e Jacques Chirac
Lula foi um dos convidados de honra nas comemorações pela queda da Bastilha
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira à tarde, em Paris, que crises são comuns em democracias.

"O que testa uma democracia é a capacidade de enfrentá-las (as crises) e superá-las", afirmou o ministro, que participou das comemorações pela queda da Bastilha na capital francesa, junto à comitiva presidencial.

Segundo Amorim o governo está superando esta crise causada pelos escândalos de corrupção do PT

"Os mercados financeiros continuam apostando no Brasil e a crise não abalou o prestígio do país."

Escândalos

Os integrantes da comitiva que acompanha o presidente Luis Inácio Lula da Silva nesta visita disseram que a crise do PT não vem sendo abordada com as autoridades francesas, mas alguns deles começaram a tocar no assunto com a imprensa brasileira que, até a véspera, não tinha acesso aos membros da delegação.

Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente para assuntos internacionais, reconhece que a situação é difícil em razão do grande número de denúncias.

"Temos um passivo para resolver e o primeiro problema é saber justamente qual a extensão deste passivo", disse ele.

Garcia disse que movimentos de esquerda de outros países telefonaram para ele em busca de mais detalhes sobre a dimensão do escândalo, e para prestar solidariedade e apoio.

O presidente Lula também abordou brevemente o assunto nesta quinta-feira, na França.

Quando o jornalista Mario Sérgio Conti, da TV Bandeirantes, furou o esquema de segurança na saída de um evento perguntou ao presidente se ele estava chateado com a crise política, ele teria dito que o Brasil não merece tudo isso que está acontecendo.

Segundo o jornalista, Lula disse ainda que o Brasil merece coisa muito melhor.

Lula se reuniu durante uma hora com o presidente francês Jacques Chirac no palácio do Eliseu, onde foi realizada a tradicional festa no jardim para milhares de convidados nesta data nacional.

Este ano, a França comemora o ano do Brasil, e a festa no jardim da sede do governo contou com barraquinhas servindo churrasco brasileiro e caipirinhas.

Lula conversou com Chirac sobre questões ambientais e a possibilidade de uma cooperação trilateral para o desenvolvimento que inclua a África, disse o ministro Celso Amorim.

Em um breve discurso após o encontro com Lula, o presidente francês disse estar orgulhoso de participar, ao lado de seu colega brasileiro, desde o início, das discussões para obter um financiamento para o desenvolvimento no mundo.

"Estou trabalhando de mãos dadas com Lula para preparar a reunião que discutirá o assunto durante a Assembléia Geral da ONU em Nova York, em setembro", disse Chirac.

O presidente francês disse ainda não ter dúvidas de que avanços em relação à questão do financiamento ao desenvolvimento serão alcançados nesta reunião da ONU.

Nesta quinta-feira, o presidente Lula também visitou o centro cultural Espaço Brasil no bairro do Marais e se encontrou com prefeitos franceses.

No fim do dia, a tradicional queima de fogos de artifício que marca as comemorações pela Revolução Francesa contou com as cores brasileiras.

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