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Crise política ainda não preocupa, dizem investidores | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Essa semana promete ser agitada no Brasil com o depoimento do presidente do PTB, Roberto Jefferson, na terça-feira no Congresso; reunião do Copom, na quarta-feira, e uma reforma ministerial iminente - mas o investidor estrangeiro não parece estar acuado. “No momento, o investidor estrangeiro está bem confortável, não está preocupado como o investidor doméstico”, disse Nuno Câmara, economista sênior do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein, em Nova York. Câmara observa que os investidores estrangeiros não são “bombardeados diariamente com manchetes negativas dos jornais locais” e que, ao contrário de crises anteriores, eles não estão prestando atenção nos detalhes – o que interessa são os fundamentos econômicos do país e a manutenção da política monetária e fiscal do governo, que, segundo garantiu o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não vai mudar em função da crise. “Tem um outro ponto bastante importante que é o fato da liquidez ainda estar bastante abundante”, acrescenta o economista. O risco de que as turbulências no Legislativo possam travar a agenda de reformas também não estaria entre os temores dos investidores estrangeiros, pois, de acordo com Câmara, eles já não contavam com o avanço da pauta no Congresso e isso já estava precificado nos ativos. Exagero Na avaliação de Jerome Booth, analista da administradora britânica Ashmore Investment Management, que tem mais de US$ 1,8 milhão em aplicações no Brasil, descrever a atual situação no Brasil como “crise” é um exagero do ponto de vista dos investidores estrangeiros. “Os fundamentos econômicos continuam fortes, e a produção no Congresso não mudou nada porque era nula de qualquer forma. O pior foi o PT ter perdido a presidência da Câmara dos Deputados”, disse. Desde que as denúncias do “mensalão” foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo, os principais títulos da dívida brasileira, o Global-40 e o C-Bond, perderam valor no mercado – um movimento que, segundo Booth, “não tem nada a ver com a situação no Brasil”. “Muitos hedge funds tinham uma posição maior em Brasil e menor na Turquia antes do referendo francês. Após o referendo, por uma questão técnica, eles mudaram de posição do Brasil para a Turquia. Isso coincidiu com o período em que o escândalo veio a público. As pessoas não sabiam que essa questão técnica estava acontecendo.” Respaldo Mas nem todos compartilham dessa avaliação de que os investidores estrangeiros estão praticamente ignorando as turbulências políticas no país, iniciadas com a CPI dos Correios e as denúncias de que o governo pagaria mesadas para parlamentares da base aliada. “O investidor está tranqüilo, está vendo os fundamentos da economia brasileira, mas também está vendo o desenrolar dessa crise política. Se o governo continuar incapacitado de resolvê-la e ela se perdurar até o começo da campanha eleitoral, acho que isso é quase inevitável que vai contaminar a performance econômica”, comentou Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe para América Latina do HSBC, em Nova York. “O investidor estrangeiro, como todo mundo que tem um interesse ou dinheiro aplicado no Brasil, está olhando, sim, para esses desenvolvimentos. Mas acho que até o momento não há uma decisão de que o risco político chegou a um ponto que vai estragar os investimentos que já estão feitos. Eu acho que uma surpresa negativa vai refletir mal, além do que acho que essa hipótese de lançar uma agenda positiva, como a ‘MP do Bem’, será largamente perdida no momento atual.” Cunha observa ainda que se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perder força política, o ministro Palocci pode perder o respaldo para que possa dar continuidade à política econômica do governo e isso, sim, pode afugentar os investidores. |
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