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Atualizado às: 13 de julho, 2005 - 08h52 GMT (05h52 Brasília)
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Diante de crise, reforma ministerial sai a 'conta-gotas'

Antes de partir para Paris, Luis Inácio Lula da Silva anunciou mais uma etapa da reforma ministerial
Antes de partir para Paris, Luis Inácio Lula da Silva anunciou mudanças
Antes de partir em viagem a Paris, na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou mais uma etapa da reforma ministerial, mas adiou a conclusão das mudanças em sua equipe de governo para a semana que vem.

A reforma, que começou há quase um mês, com a saída do ministro José Dirceu da Casa Civil, tem se arrastado por mais tempo do que se esperava e, na opinião de analistas, tem sofrido o impacto da crise política que atinge o país.

"É óbvio que a crise foi um componente importante da reforma ministerial, ainda que não o único", afirma o cientista político Jairo Nicolau, do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro).

"O que é mais problemático é que é uma reforma que vai se estendendo, vai sendo feita aos poucos, a conta-gotas", diz a professora Maria D’Alva Gil Kinzo, do Departamento de Ciência Política da USP.

"(A reforma) é uma conseqüência da crise política, é uma reação a esse problema e à paralisia do governo em função da crise", acrescenta Maria D’Alva, que atribui a demora para concluir as mudanças às negociações entre o governo e seus aliados.

"Boa justificativa"

Para Jairo Nicolau, diante da crise, Lula articulou a reforma ministerial com dois objetivos: reforçar a base de apoio do governo no Congresso e afastar ministros desgastados por denúncias de irregularidades.

"Ao definir que teriam que sair todos que depois vão se candidatar (nas eleições de 2006), a tentativa é arrumar uma boa justificativa para tirar algumas pessoas que são problemáticas, tipo Romero Jucá", concorda Maria D’Alva.

Jucá, cuja saída do Ministério da Previdência Social foi confirmada na terça-feira, é investigado pela acusação de desvio de dinheiro público para uma empresa que dirigia em 1996.

Oficialmente, no entanto, o ministro deixou o governo para voltar a exercer o seu mandato como senador do PMDB pelo Estado de Roraima e também porque pretende disputar as eleições do ano que vem.

Lula já havia afirmado que a saída de ministros que serão candidatos em 2006 foi um dos critérios da reforma, com o objetivo de evitar novas mudanças em abril, quando eles teriam de deixar o governo para se dedicar à campanha eleitoral.

Além de Jucá, os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política, e Eduardo Campos (PSB-PE), ministro de Ciência e Tecnologia, também vão deixar os seus cargos para voltar ao Congresso.

 Minha preocupação maior é com a incapacidade de coordenação política desse governo junto ao Legislativo. Eu acho que esse é o calcanhar de Aquiles do governo.
Jairo Nicolau

O substituto de Eduardo Campos será o presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Sérgio Rezende, que também é filiado ao PSB. E o ministro Jaques Wagner passa a acumular a coordenação política e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

O governo também anunciou que a Secretaria de Comunicação (Secom) e a Secretaria Especial de Direitos Humanos deixam de responder à Presidência da República e passam a responder, respectivamente, à Casa Civil e ao Ministério da Justiça.

Com isso, Luiz Gushiken, responsável pela Secom e alvo de acusações sobre possíveis favorecimentos a uma empresa da qual foi sócio, deixa de ter status de ministro.

"Despetização"

O cientista político Jairo Nicolau diz que a distribuição partidária do novo ministério deixa a impressão de que a reforma representa uma "despetização do governo".

"Você tirou petistas do governo de duas maneiras: trocando as pastas que eles estavam por pastas de parlamentares que não eram petistas, e também transformando as pastas que eles estavam em secretarias, e não mais em ministérios", afirma.

Para o professor do Iuperj, no entanto, o grande desafio da nova equipe de governo é demonstrar capacidade de retomar a iniciativa na arena parlamentar.

"Minha preocupação maior é com a incapacidade de coordenação política desse governo junto ao Legislativo. Eu acho que esse é o calcanhar de Aquiles do governo", diz Nicolau. "O PT perdeu os seus operadores políticos óbvios. Vamos ver como se sai o Jaques Wagner nessa nova tarefa."

Maria D’Alva Gil Kinzo também destaca a preocupação do governo em reforçar a base de aliados e, para isso, ampliar o espaço do PMDB no ministério.

Para a professora da USP, Lula tenta repetir com a aliança entre PT e PMDB uma combinação semelhante à que havia entre o PSDB e o PFL no governo de Fernando Henrique Cardoso.

"O problema todo é justamente porque, diferentemente do PFL, o PMDB é um partido muito dividido", afirma Maria D’Alva. "Não há uma garantia de que o governo Lula vai ter essa base parlamentar de forma efetiva. De qualquer forma, é uma tentativa de rearticular essa aliança."

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