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Relatório 'pode selar aumento de juros nos EUA' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Analistas ouvidos pela BBC Brasil acham que a divulgação de um relatório sobre o desemprego em abril nos Estados Unidos, nesta sexta-feira, pode dar o sinal que faltava para que o FED (Federal Reserve Bank, o Banco Central americano) aumente as taxas de juro do país. A expectativa de que o relatório mostre que os Estados Unidos tiveram uma diminuição no número de desempregados, e assim abra caminho para o aumento, voltou a ter reflexo negativo sobre o mercado. Nesta quinta-feira, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York fechou com baixa de 0,68%, enquanto que o Nasdaq teve queda de 1%. “Eu não acho que o mercado está reagindo tão mal”, disse David Wyss, economista-chefe do Standard & Poor’s, de Nova York. “Você certamente espera algum tipo de reação quando o FED começa a corrigir as taxas de juros e é isso que está acontecendo”. Banco da Inglaterra Na terça-feira, o FED decidiu manter inalteradas as taxas de juros – em 1%, a menor nos últimos 46 anos -, em compasso de espera de dados que confirmem a recuperação do mercado de trabalho americano. Em compensação, nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra decidiu seguir o caminho oposto e aumentou as taxas – dando mais um sinal de que a economia mundial está saindo da crise dos últimos anos. “Você está começando a ver alguns pontos positivos na economia (americana)”, disse Wyss. “E também começamos a ver sinais prematuros de inflação.” Em março, o Índice de Preços ao Consumidor americano ficou em 0,5%. Uma maneira de controlar mais aumentos seria justamente aumentar os juros. “Esse é um relatório muito importante para o FED porque isso é algo que tem faltado nessa expansão. Nós não vimos a criação de empregos até a divulgação dos números de março. Um mês só não mostra tendência”, disse Wyss. Arturo Porzecanski, economista-chefe para mercados emergentes do ABN-Amro de Nova York, concorda. “Já temos muitos meses de recuperação econômica aqui nos Estados Unidos.” Efeito tequila Em 1994, uma série de aumentos nos juros autorizados pelo FED teve efeitos negativos em todo o mundo, derrubando a moeda mexicana, o peso, e se fazendo sentir no Brasil. Mas, no mês passado, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disseram que o Brasil está pronto para enfrentar a alta mundial de juros, porque o país teria hoje “os fundamentos da economia” em ordem. “Podemos ter pressões e crises (como as de 94), mas elas vão ser diferentes, porque, por exemplo, na América Latina, quer seja no Brasil ou no México, trocamos as coisas, trocamos para melhor, flexibilizamos os regimes cambiais”, disse Pozecanski. “Então, a chance de que um de nossos bancos centrais fique sem dinheiro é mínima.” O economista, contudo, salienta que pode ocorrer o que se viu em 2002, “pressões nas taxas de câmbio, mas elas não vão levar a problemas de solviência o liquidez dos países, empresas e bancos da região”. Para Wyss, o FED “certamente” está tentando evitar que algo semelhante ao que ocorreu em 1994 se repita. “Eles vão provavelmente aumentar (os juros) tanto quanto naquele ano, mas vão fazer isso mais lentamente e vão ser mais cautelosos no sentido de deixar claro para o mercado o que eles vão fazer”. O FED volta a se reunir em junho, quando pode anunciar o possível aumento. |
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