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Atualizado às: 24 de abril, 2004 - 00h31 GMT (21h31 Brasília)
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Brasil 'está pronto para enfrentar alta mundial de juros'

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o secretário do Tesouro americano, John Snow
Palocci (dir.) teve um encontro com o secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, nesta sexta-feira
Avaliações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e declarações do presidente do Fed (o banco central americano), Alain Greenspan, indicaram esta semana que altas nos juros dos países desenvolvidos começam a aparecer no horizonte.

A possibilidade costuma provocar receios em países emergentes, que temem verem a fuga de investimentos estrangeiros para os países mais industrializados com taxas altas. Contudo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles, disseram que a economia brasileira está pronta para absorver este possível choque.

"Se os juros subirem vai ser por crescimento econômico nos Estados Unidos e em outras partes do mundo. Mudanças que acontecem assim, por conta de um fator positivo, como o crescimento, são absorvidas com muito mais naturalidade", disse o ministro Palocci depois de um encontro com o presidente do Banco Mundial, James Wolfelsohn.

Por sua vez, Henrique Meirelles disse no fim de uma palestra no Conselho de Negócios Brasil-Estados Unidos que "a evolução nos fundamentos da economia brasileira mais do que compensa este possível aumento de juros nos Estados Unidos. A estrutura da economia americana também mudou nos últimos anos, ganhando muito mais produtividade, e hoje permite uma transição muito mais suave para juros mais altos".

 A economia mundial está crescendo e os parceiros comerciais do Brasil estão crescendo. Isto são boas notícias que favorecem as nossas exportações.
Henrique Meirelles

Palocci e Meirelles estão em Washington para a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, que acontece neste fim de semana.

Exportações

O presidente do BC destacou que o Brasil também está com um forte desempenho exportador - o superávit comercial previsto para este ano é de US$ 24 bilhões - que ajuda a reduzir a dependência do país de capitais estrangeiros.

Questionado sobre o assunto, Meirelles não mostrou preocupação com as previsões de analistas de que os preços das commodities (produtos como a soja e os minerais, que têm grande peso na balança comercial brasileira) vão cair ou pelo menos reduzirão o ritmo de aumentos nos preços observados nos últimos meses.

"A economia mundial está crescendo e os parceiros comerciais do Brasil estão crescendo. Isto são boas notícias que favorecem as nossas exportações", disse.

Meirelles observou que os dois principais itens das exportações brasileiras são "o complexo da soja e equipamentos de transporte". "É um dado que mostra a diversificação da economia brasileira."

Juros

Meirelles e Palocci deram indicações de resistência às pressões por reduções mais acentudas de juros.

"A economia se equilibrou e no momento está melhorando. Parece contraditório com alguns índices, mas são fenômenos que acontecem quando há retomada. Precisamos ter serenidade e persistência", disse o ministro.

 A economia se equilibrou e no momento está melhorando. Parece contraditório com alguns índices, mas são fenômenos que acontecem quando há retomada. Precisamos ter serenidade e persistência.
Ministro Antonio Palocci

"O Brasil está dando demonstrações cada vez mais consistentes de melhora. De uma forma tranqüila, de uma forma serena, vamos prosseguir na nossa linha de ação", disse Meirelles, ressalvando, como sempre faz quando trata do assunto, que não estava fazendo nenhuma "previsão sobre como o BC vai administrar os juros".

Para o diretor para a América Latina e Caribe do FMI, Anoop Singh, o Brasil está promovendo reformas econômicas que vão permitir "quedas excepcionais" nas taxas de juros do país.

"Acredito que as políticas que estão sendo seguidas no Brasil, não só para reduzir a dívida pública, mas também para melhorar a qualidade dela está exatamente abrindo as portas para que as taxas de juros brasileiras caiam a níveis que seriam excepcionais em relação à história recente do Brasil", disse Singh.

Mas o economista preferiu não avançar em previsões a respeito do prazo ou do ritmo desta queda.

"Precisamente até que ponto é possível reduzir estes índices é algo que ainda tem de ser testado e todos nós temos confiança de que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional estão se esforçando para cuidas deste assunto."

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