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Brasil tem posição confortável na Alca em 2004, diz embaixador brasileiro
O embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, vê com otimismo as perspectivas para as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em 2004. "Estamos numa posição muito confortável, com a retomada das negociações em Miami", disse o embaixador à BBC Brasil. Ele diz que tudo vai depender do sucesso dos grupos técnicos em colocar em prática, na reunião de Puebla, no México, no início de fevereiro, as decisões políticas tomadas na reunião ministerial de Miami, em novembro. A reunião de Miami marcou a retomada do compromisso do Brasil e dos Estados Unidos – os co-presidentes do processo negociador – com a Alca e um grau de ambição menor, com um acordo geral menos abrangente e mais espaço para negociações bilaterais entre os países. Se o cronograma acertado em Miami for cumprido, o embaixador acredita que as negociações estarão concluídas até o início de 2005, como prevê o prazo inicial. Acesso Isso não significa, no entanto, acesso ao mercado americano para os produtos brasileiros já nos próximos anos. A abertura para os produtos sensíveis (aqueles sobre os quais não há concordância quanto à liberalização) somente deve acontecer no prazo máximo de dez anos. Estão nessa categoria os produtos agrícolas, que mais interessam ao Brasil. "Os resultados comerciais para o Brasil vão demorar. Mas o mais importante são os investimentos que virão com a definição das regras da Alca", acredita o embaixador, que fica em Washington até março e depois cede o posto ao embaixador Roberto Abdenur, atualmente na Áustria. Barbosa acha que o Brasil, por ser o maior país da América do Sul e já concentrar a maioria das empresas americanas na região, é o destino natural dos novos investimentos, desde que a circulação de mercadorias entre os países seja livre. Instaladas no Brasil, as empresas estrangeiras podem atender ao mesmo tempo ao mercado interno brasileiro e usar o país como plataforma de exportação para os países vizinhos. Negociações Pedro Camargo Neto, ex-secretário de Comercialização do Ministério de Agricultura no governo Fernando Henrique Cardoso e atual conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), também acha que o futuro das negociações depende de Puebla. "Miami só jogou para a frente. Deixou muita coisa em aberto. Em Puebla será dado o passo fundamental para a realização ou não da Alca", disse Camargo Neto. Depois da reunião técnica de Puebla, a próxima reunião ministerial será no Brasil, em julho. Camargo Neto diz que, se o Mercosul e a União Européia realmente assinarem um acordo que seja positivo para o Brasil em outubro, como prevê o cronograma, os Estados Unidos podem se sentir pressionados a ceder. Mas o mais provável, na sua avaliação, é que as duas negociações aconteçam paralelamente. Por outro lado, se o acordo assinado nesta semana entre América Central e Estados Unidos servir de parâmetro, ele acha que o Brasil deve esperar muito pouco dos negociadores americanos. "Esse acordo é totalmente incompatível com os interesses do Brasil, porque não abre o mercado de açúcar, só aumenta as quotas para os centro-americanos", afirmou Camargo Neto. Governo Lula Rubens Barbosa acha que a situação confortável do governo brasileiro decorre do endurecimento da postura do governo Lula, que retomou as negociações em bases mais favoráveis ao Brasil – embora com um nível de integração menor do que o inicialmente previsto. "A postura que se tinha antes, de esperar até o fim e não assinar se o acordo não fosse favorável, era pior", diz o embaixador. Mas Camargo Neto, que foi negociador no governo anterior, não vê mudanças profundas. "Está tudo mais ou menos na mesma. O Brasil se deu bem nas negociações da OMC, com o G-20, mas ninguém pode falar que o (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso não faria o mesmo", diz. Os 34 países que comporiam a Alca – todos os países das Américas, com exceção de Cuba – já foram, neste ano, o destino de 44,3% das exportações brasileiras até novembro, um total de US$ 29,3 bilhões. Apesar do crescimento de 17% em relação ao ano anterior, a participação caiu nos últimos anos, com o aumento da importância de países como a China e a Índia para as exportações brasileiras. Já as importações brasileiras dos países do hemisfério caíram 6% neste ano e correspondem a 38,5% do total, com um volume de US$ 17 bilhões até novembro. Os produtos agrícolas compõem a maior parte das exportações brasileiras. |
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