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Atualizado às: 21 de novembro, 2003 - 08h42 GMT (06h42 Brasília)
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Acordo mantém divergências sobre Alca 'light'

Robert Zoellick e Celso Amorim
Zoellick e Amorim: 'boa química' teria substituído hostilidade

Apesar do clima de otimismo das 34 delegações presentes em Miami, as divergências que ameaçaram provocar um impasse nas negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, devem ressurgir tão logo as discussões recomecem em fevereiro de 2004.

Nessa data, o Comitê de Negociações Comerciais do bloco terá a sua primeira reunião depois de Miami.

O ministro do México, Fernando Canales, por exemplo, disse à BBC Brasil que o consenso em Miami foi importante, mas que o objetivo dos mexicanos é uma Alca diferente.

"Estamos instruindo nossos ministros para que busquem, nas negociações do ano quem vem, o acordo mais amplo possível, para que realmente exista uma área de livre comércio no nosso continente", disse Canales.

Pontos polêmicos

A visão de Canales é compartilhada por representantes de outros países, como o Chile e o Canadá, que lideraram o grupo que apresentou uma proposta alternativa em Miami, que acabou não sendo aceita.

Esses países fecharam acordos de livre comércio com os Estados Unidos que continham todos os pontos polêmicos que o Brasil não aceita incluir: regras sobre propriedade intelectual, normas comuns para investimentos e liberalização de compras governamentais.

"Pagamos um preço alto pelo acordo. Há países que querem o mesmo pagando mais barato", disse um representante graduado do governo canadense, que pediu para não ser identificado.

Durante a apresentação do acordo em Miami, o ministro canadense Pierre Pettigrew foi mais diplomático do que seu colega, mas também deixou claro que o jogo não acabou.

"Até dez dias atrás, falava-se que Miami poderia ser outra Cancún (referindo-se ao fracasso da reunião da OMC). Estou satisfeito com o progresso que foi feito aqui. Mas agora temos que negociar passo a passo", disse Pettigrew.

Subsídios agrícolas

Mesmo o Brasil pretende trazer de volta à mesa as negociações sobre os subsídios à produção agrícola americana, que prejudicam, por exemplo, as exportações de açúcar brasileiro.

As discussões sobre esses subsídios ficariam fora da Alca, já que os Estados Unidos insistem que o tema só pode ser discutido na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Eles dizem que, como Europa e Japão fazem o mesmo, não faria sentido que os Estados Unidos eliminassem ou reduzissem seus subsídios à produção enquanto as outras duas regiões não fizessem o mesmo.

Para muitos, esse era um ponto pacífico da discussão, mas não para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

"Não quero disfarçar que há muito trabalho pela frente", afirmou.

Para Eduardo Gamarra, diretor de América Latina e Caribe da Universidade Internacional da Flórida, o consenso em Miami já havia sido selado antes de a conferencia começar.

"Era o que o Brasil e os Estados Unidos queriam. Os americanos não podiam se dar o luxo de deixar Miami fracassar, principalmente, após a experiência de Seattle", disse Gamarra, referindo-se à fracassada conferência da OMC na cidade americana em 1999.

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