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Trabalhadores dos EUA protestam contra a Alca
O temor entre americanos de que a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) possa provocar uma fuga de empregos dos Estados Unidos levou milhares de trabalhadores para as ruas de Miami nesta quinta-feira. A principal central sindical americana, a AFL-CIO, esperava reunir 25 mil balhadores para a passeata, mas o número real ainda não foi confirmado. O protesto dos sindicalistas fez parte de uma série de manifestações contra a Alca e que também incluiu ativistas antiglobalização. "Viemos aqui protestar contra a criação dessa área de livre comércio que não tem compromisso com o trabalhador e permite que as multinacionais cheguem a outros países e explorem a mão-de-obra local", disse à BBC Brasil Paulo Maldos, da Coordenação Nacional contra a Alca. Na visão dos sindicalistas americanos, a Alca teria sobre o mercado de trabalho efeito similar ao do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, sigla em inglês), só que mais amplo. Os sindicalistas citam um estudo do Economic Policy Institute, um instituto de pesquisa independente com sede em Washington, para defender a tese de que o trabalhador americano só tem a perder com a Alca. O estudo diz que o Nafta, acordo firmado pelos Estados Unidos, México e Canadá em 1993, provocou o fechamento de mais de 800 mil postos de trabalho no setor industrial americano. Em outro protesto, manifestantes entraram em confronto com policiais. Três pessoas foram presas. Efeito negativo "O Nafta é composto por três países, a Alca, por 34. Por isso, o efeito negativo seria muito maior. Estamos reunindo trabalhadores do setor siderúrgico, da indústria, do comércio, dos serviços, todos unidos contra a Alca", disse Sarah Massey, uma das porta-vozes da AFL-CIO, que representa cerca de 13 milhões de trabalhadores. Os sindicalistas do setor siderúrgico, por exemplo, que estiveram presentes na passeata desta quinta-feira, criticam as multinacionais por, segundo as palavras de um comunicado do sindicato, "explorarem trabalhadores na América Latina e depois dizerem que os trabalhadores dos Estados Unidos e do Canadá devem aceitar salários mais baixos e menos benefícios para continuar competitivos". Para tentar amenizar a oposicão à Alca, o Departamento de Comércio do governo americano lançou um documento que tenta derrubar o que chama de "mitos" em torno da formação do bloco. Um dos itens diz respeito ao que o governo americano chama de "mito da fuga de empregos e deterioração das condições do mercado de trabalho". "Se fosse verdade que os empregos vão automaticamente para países com renda baixa, o Haiti seria o centro do emprego do hemisfério", diz o documento. Em outro item, o documento diz que não é verdade que o Nafta foi responsável pela crise na indústria americana. "Os problemas da indústria começaram bem depois do Nafta. Esses problemas se devem a uma recente crise da qual os Estados Unidos estão agora se recuperando", conclui o documento. |
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