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Atualizado às: 18 de novembro, 2003 - 19h56 GMT (17h56 Brasília)
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EUA dizem que não querem isolar o Brasil

Robert Zoellick
Robert Zoellick: ampliação da ofensiva bilateral na América Latina

Após o anúncio do início de negociações bilaterais entre os Estados Unidos e mais seis países da América Latina, o principal assessor da Casa Branca para a região, Otto Reich, disse à BBC Brasil que essa não é uma tentativa de isolar o Brasil.

"Esse é apenas um esforço para avançar no livre comércio com nações amigas", disse Reich.

"Não é um esforço para pressionar ninguém. Isso não vai isolar o Brasil mais do que qualquer outro país que não esteja fazendo parte dessas negociações", afirmou ele.

O início formal das negociações com Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, foi anunciado nesta terça-feira, pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick.

Zoellick anunciou também a intenção dos Estados Unidos em negociar acordos de livre comércio com o Panamá e também com a Republica Dominicana.

Pressa

Demonstrando que o país tem pressa em fechar acordos de livre comércio no continente, ele disse ainda que os Estados Unidos querem concluir as negociações – que já estão em andamento – com países da América Central (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua) até o fim deste ano.

Apesar de Otto Reich ter insistido que o objetivo da estratégia não é pressionar o Brasil, Zoellick não deixou de mencionar o país durante a sua apresentação.

"Esses seis países (os cinco da América Central e a República Dominicana) são os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos na América Latina após o México. O comércio desses países com os Estados Unidos é maior do que o nosso comércio com o Brasil", disse Zoellick.

Propriedade intelectual

Na avaliação de muitos analistas, a ampliação da ofensiva de negociações bilaterais americana na América Latina pode pressionar o Brasil e outros países que preferem negociações menos abrangentes – refletidas na chamada "Alca light" – a aceitar acordos mais amplos.

Essas negociações mais amplas incluiriam pontos polêmicos como as regras comuns de proteção à propriedade intelectual e ao investimento estrangeiro, pontos que, por pressão principalmente do Brasil, não constam da parte central do acordo para a criação da Alca, que está sendo discutido na Conferência Ministerial de Miami.

O governo brasileiro tem insistido que a ampliação dos acordos bilaterais americanos, enquanto a Alca está sendo negociada, não compromete em nada o sucesso da estratégia brasileira.

"Nós também negociamos esse tipo de acordo. Enquanto os Estados Unidos estão anunciando só agora o início de negociações com os países andinos, nós já temos esse tipo de negociação", disse o principal negociador brasileiro para a Alca, Luis Macedo Soares.

O assessor econômico do Ministério das Relações Exteriores, Antonio Simões, rejeitou a idéia de que a estratégia de buscar acordos bilaterais dos Estados Unidos seja um mecanismo de pressionar o governo brasileiro.

"De jeito nenhum, eles estão defendendo os interesses deles e nós estamos defendendo o nosso", afirmou Simões.

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