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Atualizado às: 20 de dezembro, 2003 - 00h10 GMT (22h10 Brasília)
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Livre comércio 'pode aumentar desigualdade', diz Bird

Linha de montagem
Para Bird, modernização da economia aumenta salários de trabalhadores mais qualificados

O México corre o risco de ter um aumento na sua desigualdade social, caso não tome medidas adicionais para equilibrar os efeitos do Nafta (Tratado de Livre Comércio entre México, Estados Unidos e Canadá) sobre sua economia.

O alerta consta de um estudo do Banco Mundial (Bird) que analisou os efeitos do Nafta, que completa dez anos no próximo dia 1º de janeiro.

Segundo o relatório, a abertura comercial ajuda, mas não basta para desenvolver um país que tem de investir pesado em educação, pesquisa e infra-estrutura para se beneficiar das oportunidades abertas pelo acesso a novos mercados.

O Banco Mundial destacou que a criação do bloco trouxe benefícios ao México, mas esses ganhos não foram suficientes para igualar mais as condições da sociedade mexicana às de seus vizinhos do norte.

Pesquisa

O México poderia ver um aumento nas suas desigualdades sociais porque a modernização da economia eleva os salários de trabalhadores mais qualificados – em geral já de classes mais altas – e deixa para trás aqueles que têm menos preparo.

Os efeitos positivos do Nafta
Investimento estrangeiro estaria hoje 40% menor sem o Nafta
Renda per capita de US$ 5.920 (2002) seria 5% menor sem o acordo
Exportações mexicanas estariam 25% menores
Banco Mundial

Outro aspecto destacado pelo estudo diz respeito aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, que em geral ficam restritos apenas ao paises do norte.

O relatório Lições do Nafta para America Latina e o Caribe, feito por três economistas do Banco Mundial, tem como principal objetivo orientar outros países em desenvolvimento das Américas em suas negociações comerciais, em especial para a formação da Área de Livre Comercio das Americas (Alca).

O Bird indica que os países em desenvolvimento têm de tomar cuidado nas

negociações para evitar alguns aspectos que já estão atrapalhando o México e que poderiam também representar barreiras ao desenvolvimento em outros acordos.

Um deles diz respeito às complicadas regras de origem que, no caso do México,

acabam impedindo que 40% da indústria têxtil – um importante setor da economia mexicana – tenham acesso ao mercado dos Estados Unidos.

Efeitos negativos do Nafta
Diferenças na renda de trabalhadores qualificados e não qualificados aumentou
Regiões do norte e do centro do México cresceram mais do que o sul
Pequenas e médias empresas não conseguiram aumentar o acesso a créditos
Agricultura para o mercado doméstico não foi beneficiada
Banco Mundial

Regras de origem são medidas que buscam impedir que produtos vindos de outros países, que não façam parte de um bloco econômico, acabem se beneficiando das reduções tarifárias.

"Mas as regras de origem acabam muitas vezes sendo tão caras e complicadas que simplesmente impedem que produtos legítimos circulem pelos mercados do bloco comercial", diz o relatório.

Migração

Outro ponto delicado que, para os economistas do Banco Mundial, também tem de ser revisto é a livre movimentacao de pessoas.

Segundo o estudo, alguns mercados podem criar bons ganhos para os países em desenvolvimento, mas para isso eles dependem da capacidade de seus cidadãos de se deslocar livremente entre os países que fazem parte do bloco.

A pesquisa diz que um desenvolvimento de programas de migração temporária seria muito importante para auxiliar no crescimento.

O estudo também conclui que o desenvolvimento das regiões norte e central do

México foi muito maior do que no sul, historicamente mais pobre, durante os dez anos do Nafta.

Para o Banco Mundial, acordos de livre comércio deveriam incluir programas de

desenvolvimento e apoio financeiro às regiões menos desenvolvidas, a exemplo dos programas que beneficiaram, por exemplo, Portugal e Grécia quando esses países entraram na União Europeia.

Na agricultura, o Banco Mundial estima que as culturas para exportação tiveram um desenvolvimento muito maior do que aquelas que produzem alimentos apenas para o mercado interno.

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