|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
ONG acusa EUA de tentarem desarticular o G-21
O chefe da delegação da ONG Action Aid, Adriano Campolina, acusou os Estados Unidos de oferecerem vantagens comerciais à Guatemala, Costa Rica e El Salvador, para que deixassem o G-21, grupo coordenado pelo Brasil e a Índia. A acusação da Action Aid se soma a uma série de rumores, segundo os quais os países mais pobres do grupo estariam sofrendo pressão para deixá-lo ou, pelo menos, para atuar com menos empenho em relação às propostas do setor de agricultura. O grupo foi criado para apresentar uma proposta conjunta para a liberalização do comércio mundial no setor agrícola. "A boa notícia é que nenhum dos países aceitou", disse Campolina. "Temos um novo jogo, um novo balanço de poder. Esta prática americana demonstra um certo desespero. O desespero de um país que não está acostumado de fato a negociar. É a primeira vez que os Estados Unidos e União Européia vão ter que efetivamente negociar", acredita ele. Os negociadores americanos rechaçaram as insinuações de que estariam exercendo qualquer pressão ilegítima sobre o grupo. Após uma nova reunião técnica de mais de duas horas com os negociadores americanos, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que as negociações foram duras. Ao ser perguntado sobre a atitude americana em relação ao G-21, Rodrigues disse que mesmo que "soubesse que os rumores são reais (sobre a tentativa de desarticular o grupo), eu não contaria a vocês (jornalistas)". Apesar disso, ele afirmou que as negociações são "uma luta dura, uma luta que não tem muita diplomacia, são uma luta selvagem: comércio é dinheiro, é emprego, é renda dentro dos países". Para ele, "é perfeitamente compreensível” que determinadas armas que em outras circunstâncias não seriam muito éticas sejam utilizadas. Surpresa Os rumores sobre pressão e a atitude dos negociadores americanos e europeus em Cancún estão sendo interpretados como uma evidência de que a estratégia do G-21 está surtindo efeito. Para os negociadores brasileiros, o grupo está conseguindo forçar os países desenvolvidos a efetivamente negociar sobre o setor agrícola, algo que até então eles vinham conseguindo evitar. "Isso nunca havia acontecido em um tema tão amplo e a reação deles (dos americanos e europeus) é de espanto. Como se os pais voltassem para casa e encontrassem os filhos dando uma festa", resumia um dos negociadores brasileiros no encontro. Durante a tarde da quinta, negociadores europeus chefiados pelo comissário de Agricultura da União Européia, Franz Fischler, discutiram por mais de duas horas as propostas agrícolas com representantes do G-21 de países como Costa Rica, África do Sul, China e Tailândia. "Como sou coordenador, acabei metendo o bedelho em todos os assuntos", disse o ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores. O ministro diz ter notado certas "margens de flexibilidade" durante a reunião, mas ressalvou que foi tudo "muito estreito para dizer que houve algum ganho concreto". De acordo com o relato de Amorim, a reunião não foi de confrontação. "Eu não chamaria de descontraída, mas foi até bem-humorada em certos momentos." Amorim disse no final do dia aos jornalistas que "ainda não ouvimos o que queríamos, mas há diálogo". Até a noite de quinta-feira, no entanto, ainda não havia nenhuma indicação de que a ambiciosa proposta encampada pelo G-21 vá ser aceita pelo menos em parte por União Européia, Estados Unidos e Japão. E a UE parece ter adotado uma postura ainda mais resistente a possíveis concessões. De acordo com o vice-ministro do Comércio de uma das delegações européias, os liberais na questão agrícola ainda são minoria e um relaxamento das posições nem começou a ser cogitado. Além disso, para ele, "ainda há muitas dúvidas sobre a manutenção da unidade” do G-21. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||