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Atualizado às: 11 de setembro, 2003 - 12h00 GMT (09h00 Brasília)
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Suicídio e protestos abalam início de reunião da OMC
Agricultores protestam contra reunião da OMC em Cancún
Milhares de pessoas participam de protesto contra reunião da OMC

Um suicídio e protestos em massa colocaram uma sombra sobre os primeiros dias de negociações da reunião ministerial da OMC (Organização Mundial de Comércio) em Cancún, no México.

Lee Hyang Hae, chefe da federação de agricultores da Coréia do Sul, se matou durante os protestos de quarta-feira com uma facada.

De acordo com um amigo de Lee, o agricultor teria dito que seu suicídio seria "um ato de sacrifício" para mostrar sua aversão às políticas da OMC.

Um dos temas mais polêmicos da reunião em Cancún são os subsídios agrícolas adotados em países ricos e criticados por grupos de agricultores de todo o mundo nos protestos contra a OMC.

Confrontos

A reunião ministerial de cinco dias começou na quarta-feira, e o início do evento foi acompanhado por uma série de confrontos entre a polícia e milhares de manifestantes que tentavam atravessar a barreira de segurança que isola o local onde o encontro é realizado.

Visitante observa paisagem na costa de Cancún
Balneário no México é sede de debate sobre subsídios agrícolas

Agricultores de países em desenvolvimento afirmam que os amplos recursos investidos pela Europa e pelos Estados Unidos em subsídios agrícolas criam uma situação de desigualdade que impede o acesso dos produtos de outros países aos mercados internacionais.

Os países ricos gastam cerca de US$ 320 bilhões em subsídios agrícolas, uma quantia seis vezes maior que o dinheiro investido em ajuda aos países pobres.

A União Européia e os Estados Unidos se comprometeram a rever os subsídios agrícolas, mas as propostas iniciais foram consideradas muito amenas pelos críticos da política agrícola dos países ricos.

Além disso, o bloco europeu e o governo americano enfrentam a pressão das nações em desenvolvimento, que cobram a promessa de cortes nos subsídios assumida pelos países ricos na Rodada de Doha, em 2001.

Estados Unidos e União Européia afirmam que os países mais pobres precisam concordar em realizar amplas reformas legais e comerciais antes de exigir qualquer concessão nas discussões sobre os subsídios agrícolas.

Tudo ou nada

Os representantes de 146 países presentes na reunião da OMC tentam negociar um novo acordo global sobre comércio que seja capaz de incluir as posições dos países ricos e das nações em desenvolvimento.

Os países mais pobres, muitos deles grandes exportadores agrícolas, perceberam que podem impedir um acordo em Cancún e insistem no compromisso da OMC de reduzir os subsídios.

"Infelizmente, a realidade do sistema de comércio internacional hoje não combina com a retórica", disse o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan.

"Ao invés de uma abertura dos mercados, há muitas barreiras que atrofiam, reprimem e matam de fome."

O diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi, disse que os "olhos do mundo" estão em Cancún e que a comunidade internacional precisa atender às expectativas.

De acordo com Panitchpakdi, as perspectivas de crescimento econômico do mundo dependem do sucesso da reunião ministerial.

Escalada da violência

No momento em que a reunião em Cancún teve início, cerca de 30 manifestantes no interior do local do encontro ergueram cartazes que acusavam a OMC de agir contra o desenvolvimento e de maneira antidemocrática.

Fazendeiros tailandeses participam de protestos contra a OMC
Agricultores de todo o mundo participam de protestos em Cancún

Do lado de fora do prédio, outros grupos de manifestantes se envolveram em violentos confrontos com a polícia.

Os manifestantes atiraram pedras contra os policiais, que responderam com gás lacrimogêneo.

Os protestos se tornaram uma rotina em reuniões da OMC desde 1999, quando violentas manifestações abalaram a reunião da organização em Seattle.

Nos anos seguintes, violentos tumultos também ocorreram durante reuniões em Praga e em Gênova.

Ao longo dos próximos dias, cerca de 150 mil pessoas devem chegar em Cancún para participar de protestos contra a reunião da OMC.

Prazos

O encontro em Cancún foi planejado como um passo crucial em direção à possível assinatura de um novo acordo comercial global em 2004.

Reunião tenta definir regras para um acordo comercial global
Reunião tenta definir regras para um acordo comercial global

No entanto, a OMC não conseguiu cumprir quase nenhum dos prazos definidos desde o início das negociações na Rodada de Doha, em 2001.

Além do polêmico debate sobre subsídios agrícolas, os países que participam da reunião também negociam diferenças sobre o preço de medicamentos, as tarifas à importação de aço e as regras de propriedade intelectual.

Apesar de manifestações de otimismo nos últimos meses, poucas pessoas acreditam que a reunião em Cancún vai chegar a um acordo definitivo.

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