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Manifestantes preparam novos atos contra OMC
Os 150 militantes sul-coreanos em Cancún, no México, homenagearam um de seus companheiros que cometeu suicídio com a preparação de novos protestos contra a conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quinta-feira. A liberalização do comércio agrícola, o tema que causou os protestos, é o mais difícil dessa conferência. Os grupos de trabalho dos países-membros da OMC começaram as dicussões nesta quinta-feira, mas o ministro da Agricultura da França, Hervé Gaymard, disse à agência de notícias France Presse que até agora não houve qualquer avanço nas negociações agrícolas. A principal disputa está entre as posições do G-21 (grupo dos 21 países em desenvolvimento liderado por Brasil e Índia) e da União Européia (UE). Prazos A proposta do G-21 prevê uma liberalização mais rápida e ampla do comércio agrícola do que querem os países ricos, especialmente a UE, que tinha fechado, com os Estados Unidos, uma proposta conjunta para as negociações em Cancún. "As negociações agrícolas vão deslanchar hoje, amanhã, depois de amanhã ou durante a última noite (de reunião). Não se sabe ainda", disse Gaymard. Por enquanto, segundo o ministro do Comércio Exterior da França, François Loos, "todos estão se avaliando" e estão em "terra de ninguém". "Temos a impressão que as coisas vão acontecer na noite de sábado" (último dia da conferência), disse Loos à AFP. A França é um dos países que mais resistem ao corte de subsídios a agricultura. Novos protestos Um dia depois de Lee Kyang Hae, 55, ter se matado com uma faca durante uma demonstração em Cancún, os manifestantes sul-coreanos se sentaram a poucos metros da barreira onde ele se suicidou para discutir as atividades do dia. Muitos disseram não concordar com o método escolhido por Lee para mostrar sua oposição à globalização que, segundo eles, está matando agricultores coreanos e a agricultura. Mas "não é importante que as pessoas não concordem com ele, o que importa é que ele fez", disse Sohi Jeon, que coordena os protestos sul-coreanos em Cancún. "Foi um ato de protesto, de desespero". Lee já se ferira com uma faca em 1993, em Genebra, em frente à sede do GATT, precursor da OMC. Símbolo Mas seus companheiros disseram ter se surpreendido com seu suicídio público na quarta-feira. Mesmo assim, eles disseram que o seu suicídio simbolizava a morte de agricultores coreanos. "Há muitos agricultores na Coréia que cometem suicídio. Preços estão baixos, dívidas estão altas", disse Sohi, da Ação do Povo Coreano contra a OMC, que reúne vários grupos antiglobalização. Os manifestantes coreanos responsabilizam a OMC pelas dificuldades dos agricultores, dizendo que a produção local não pode concorrer com produtos agrícolas importados mais baratos. |
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