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Argentina suspende pagamentos ao FMI

Néstor Kirchner, presidente da Argentina
O presidente disse no domingo que o acordo que o FMI queria jogaria 50% da população na pobreza

Num dia tenso na Argentina, o presidente Néstor Kirchner deu ordem ao Banco Central do país para que cancele o pagamento que deveria fazer nesta terça-feira ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo argentino tinha que hornar, nesta terça-feira, uma parcela de US$ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 8,5 bilhões) com o fundo.

A decisão de Kirchner leva o país a entrar em moratória com os organismos multilaterais de crédito - FMI, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial (Bird).

É o segundo calote da Argentina em sua dívida em menos de dois anos.

Crise

A primeira moratória nesse período foi declarada em dezembro de 2001 pelo ex-presidente interino Adolfo Rodriguez Saá, que ficou apenas uma semana no poder.

No primeiro caso, foi cancelado o pagamento à dívida pública privada.

Para os analistas, a decisão de Kirchner vai isolar ainda mais a Argentina do mapa dos investimentos internacionais.

Em Buenos Aires, foi um dia de boatos, incluindo até rumores sobre a renúncia do ministro da Economia, Roberto Lavagna. O ministério desmentiu a informação.

No centro da capital argentina, ocorreram protestos com centenas de manifestantes de diferentes grupos de piqueteiros contra o FMI.

Sem acordo

O acordo que estava em discussão até agora girava em torno de um pacto de três anos que permitiria à Argentina pagar os juros da dívida de US$ 13 bilhões com o FMI e dedicar parte de seu orçamento para programas sociais.

No entanto, dois pontos emperraram as negociações: o FMI diz que os grandes bancos deviam ser compensados pelos prejuízos do ano passado e que as empresas que prestam seviços públicos teriam que ser autorizadas a aumentar suas tarifas.

Analistas afirmam que as exigências do FMI seriam impopulares na Argentina, onde são vistas pela maior parte da opinião pública como um artifício para ajudar as grandes empresas à custa dos mais pobres.

O ápice da crise argentina, no final de 2001, provocou a desvalorização da moeda local, o fechamento de bancos, o aumento da pobreza e uma onda de protestos.

Além de polêmica, a suspensão dos pagamentos da dívida também será um duro golpe para o FMI, principal credor da Argentina.

As relações entre o fundo e o governo argentino foram abaladas nos últimos anos, com os dois lados trocando acusações sobre a responsabilidade pelos equívocos cometidos na condução de políticas econômicas no país.

"Durante os últimos dez anos, alguns funcionários do FMI deram conselhos muito ruins à Argentina", afirmou o presidente argentino, Néstor Kirchner, durante o fim de semana.

Kirchner também sugeriu ser contrário a uma compensação aos bancos pelos prejuízos registrados na Argentina nos últimos anos.

"Se nós falamos em compensar a Argentina, (vamos colocar) 50% do país na pobreza", disse o presidente em um discurso dominado por uma retórica anti-FMI.

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