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Atualizado às: 22 de agosto, 2003 - 19h21 GMT (16h21 Brasília)
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Arte e desemprego se misturam na Argentina

Atriz argentina
Atriz na peça “Manifesto”, encenada em uma fábrica controlada por trabalhadores

Músicos de tango, escritores e atores argentinos decidiram se unir para levar arte a protestos de desempregados a fábricas que, depois de fechadas, foram tomadas por trabalhadores na Argentina.

Para estes artistas, a palavra de ordem poderia ser a música Yo soy el desocupado (Eu sou o desempregado), da banda Santa Revolta, uma das mais famosas entre os desempregados que fazem protestos.

Ou ainda o tango "Tiem-Posmodernos" dos músicos Javier González e Patricia Barone.

Os dois músicos foram premiados por críticos argentinos com o tango Pompeya no olvida (Pompeya não esquece) – que fala dos males da recente ditadura argentina, entre 1976 e 1983.

Piquetes

Os artistas, como contam Javier e Aníbal Kohan, da Santa Revolta, costumam levar seus instrumentos e até as caixas de som para os piquetes – protestos realizados por desempregados, no qual eles interrompem o trânsito para pedir trabalho e maior distribuição de auxílio do governo.

"Nós começamos a fazer música de protesto para dançar, mas depois da morte de dois piqueteiros em 2001, num confronto policial, passamos a fazer rock, chamamé (um ritmo do sul do Brasil e da Argentina) e cumbia (um ritmo caribenho) com letras mais sérias", afirma Kohan, de 44 anos, da Associação de Artistas que tocam nos Piquetes.

Javier González e o diretor de teatro, Ivan Moschner, de 39 anos, do grupo Morena Cantero Jrs., foram os fundadores de outro grupo artístico dos protestos, o LuchArte, ligado ao grupo piqueteiro Pólo Obrero.

Ivan é o criador da montagem teatral Manifesto, com base no texto do Manifesto Comunista de Karl Marx.

Ao lado dos atores Ariel Aguirre, de 26 anos, e de Juan Panico, de 32, eles apresentam Manifesto em diferentes palcos populares. "Chegamos a representar esta peça para cinco ou seis pessoas", disse.

Muro
Muro da fábrica que foi palco da peça "Manifesto"

"Às vezes, não tinha ninguém para nos assistir. Hoje, talvez pela situação do país, já reunimos 50, 100 e até 150 num espetáculo". No fim da apresentação, eles sempre gritam: "Proletários de todo mundo, uni-vos".

Cooperativa

Há duas semanas, a fábrica de massas Grisinópolis, no bairro de Almagro, a vinte minutos do centro de Buenos Aires, foi o palco de Manifesto.

Ali, 16 trabalhadores formaram uma cooperativa para manter em funcionamento a fábrica, que havia entrado em concordata durante a crise argentina.

Eles salvaram o lugar, estão ocupados e abriram um centro cultural.

"Nós, aqui estamos provando que uma fábrica pode funcionar sem o patrão, mas não sem seus trabalhadores", disse Ivana Santos, de 42 anos, que atua também como porta-voz da indústria.

"Nós decidimos abrir aqui um centro cultural para poder dar acesso cultural ao povo. E hoje até escritores lançam livro aqui", orgulha-se a operária, que trabalha há mais de 20 anos em Grisinópolis.

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