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Atualizado às: 29 de agosto, 2003 - 22h44 GMT (19h44 Brasília)
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Kirchner diz estar comprometido com o fim da impunidade

Parentes das vítimas buscam justiça há anos
Parentes das vítimas buscam justiça há anos

Ao saber da decisão da Espanha de desistir da extradição de 39 militares argentinos e um civil – acusados de crimes contra direitos humanos durante a recente ditadura na Argentina –, o presidente Néstor Kirchner reiterou sua determinaçao de "acabar com a impunidade no país".

Para ele, a medida adotada pelo Conselho de Ministros da Espanha, recusando o pedido de extradição feito pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, não muda seus planos de ver os criminosos sendo julgados. Agora, no banco dos réus da própria Argentina e não nos tribunais espanhóis.

O juiz federal argentino Rodolfo Canicoba Corral informou que poderá libertar, antes mesmo de segunda-feira, os 40 acusados, presos há um mês e meio para atender a primeiro parte do pedido de Garzón, que agora fica anulado com a decisão anunciada em Madrid, nesta sexta-feira.

"Se a Espanha já não quer mais as extradiçoes e se até segunda-feira não chegar o pedido formal para extraditá-los, o que ainda não tinha chegado às minhas mãos, deverei dar a liberdade a estes presos que seriam enviados para julgamento na Espanha", explicou Canicoba.

Mais tarde, ele acrescentou: "Eu poderei ter que liberá-los hoje mesmo, caso a comunicaçao oficial que vem da Espanha chegue logo às minhas maos".

Julgamento local

Ouvido pela BBC Brasil, o professor Ernesto Lopez, da Universidade de Quilmes, especialista em assuntos militares, explicou que ainda não está claro se a Espanha está "rejeitando" ou apenas "suspendendo" o pedido, podendo voltar a fazê-lo mais adiante, caso os acusados não sejam julgados na Argentina.

"A minha expectativa agora é de que eles serão julgados pela Justiça argentina", disse Lopez.

Ele lembrou que na próxima quinta-feira, dia 4, a Justiça local já poderá começar a convocar os militares que atuaram na última ditadura, por conta da revogação das leis de anistia.

Neste caso, o número de envolvidos poderia chegar aos dois mil, segundo especulações publicadas na imprensa local.

"Ninguém sabe ainda o número exato, mas seriam convocados todos aqueles que estavam para ser julgados e foram salvos pelas leis de anistia", afirmou.

As leis de anistia, chamadas de obediência devida e ponto final, foram assinadas no governo do ex-presidente Raul Alfonsín, em 1986 e 1987. Há duas semanas, o Congresso Nacional anulou essas leis, e, na próxima quinta-feira, passados dez dias úteis da votaçao, os acusados poderão ser levados ao banco dos réus.

Ao mesmo tempo, o cancelamento das leis continuará sendo analisado pela Suprema Corte de Justiça, instituição que terá a palavra final sobre a constitucionalidade ou não do fim destas leis, como ressaltou à BBC Brasil o jurista Ricardo Gil Lavedra, um dos juízes que atuava contra a Junta Militar, nos anos 80.

Muitos juristas questionam, no entanto, o fato de a Suprema Corte contar hoje com magistrados ligados ao ex-presidente Carlos Menem e que são contra o fim das leis do perdão.

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