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Espanha desiste de pedir extradição de militares argentinos
O governo espanhol afirmou nesta sexta-feira que não vai pedir a extradição de 39 militares argentinos, que foram presos por crimes cometidos contra cidadãos espanhóis durante a ditadura na Argentina. Os militares foram processados pelo juiz espanhol Baltasar Gárzon por crimes de genocídio, terrorismo e tortura ocorridos na Argentina entre os anos de 1976 e 1983. O prazo para o pedido de extradição vence na próxima terça-feira. Caso até esta data a Argentina não receba o pedido de extradição, as autoridades terão que libertar os detidos. "Não processamos o pedido de extradição porque acreditamos na vontade e na capacidade do governo de Néstor Kirchner de realizar o julgamento dos militares na Argentina", disse o vice-primeiro ministro espanhol, Mariano Rajov. Soberania Rajov afirmou que a decisão espanhola respeita a soberania argentina e foi baseada no fato de o país ter recentemente anulado a lei que dava anistia aos militares. No início de agosto, o Parlamento argentino votou pelo fim dos direitos de anistia dado a acusados de tortura e assassinato durante a "guerra suja" argentina, anulando duas leis de 1986 e 1987. Isso abriu caminho para que os militares sejam julgados na Argentina. Néstor Kirchner afirmou que o seu governo não pretende proteger ninguém acusado de violar direitos humanos. Liberdade Mas o juiz federal argentino, Rodolfo Canicoba Corral, afirmou nesta sexta-feira que ele precisaria libertar os presos - caso não recebesse o pedido de extradição da Espanha até a próxima terça-feira. O ministro da Defesa argentino, José Pampuro, no entanto, afirmou que os presos podem ser levados diretamente a julgamento na Argentina. Advogados das vítimas em Madri afirmaram que elas lamentam a decisão do governo espanhol. O regime militar na Argentina é acusado de ter matado entre 15 mil e 30 mil pessoas, muitas delas cidadãos espanhóis. Entre os presos estão vários ex-integrantes da junta argentina, entre eles os ex-generais Jorge Videla e Carlos Suarez Mason e os ex-almirantes Emilio Massera e Ruben Franco. Outro detido é o ex-funcionário da Marinha Alfredo Astiz, conhecido como "Anjo Louro", condenado pela Justiça da França pela morte de duas freiras francesas durante a ditadura. O governo francês já entrou com o pedido pela sua extradição. |
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