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Atualizado às: 08 de setembro, 2003 - 18h08 GMT (15h08 Brasília)
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Argentina e FMI negociam sob ameaça de calote
Roberto Lavagna, ministro da Economia da Argentina
Argentina pode decidir suspender pagamentos da dívida com o FMI

O governo argentino e representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) estão travando uma queda de braço para definir os termos de um novo acordo.

Caso a negociação de um novo empréstimo ao país não seja concluída dentro de 24 horas, a Argentina será obrigada a suspender o pagamento de uma parcela de dívida no valor de US$ 2,9 bilhões.

A discussão entre o FMI e o governo argentino gira em torno de um pacto de três anos para permitir que a Argentina pague os juros da dívida de US$ 13 bilhões com o FMI e possa dedicar parte de seu orçamento para programas sociais.

No entanto, dois pontos emperram as negociações: o FMI diz que os grandes bancos devem ser compensados pelos prejuízos do ano passado e que as empresas que prestam seviços públicos devem ser autorizadas a aumentar suas tarifas.

Medidas impopulares

Analistas afirmam que as exigências do FMI são impopulares na Argentina, onde as medidas são vistas pela maior parte da opinião pública como um artifício para ajudar as grandes empresas à custa dos mais pobres.

Economistas dizem, no entanto, que uma nova suspensão dos pagamentos da dívida seria um enorme golpe nos esforços do governo argentino para sair da crise financeira que atinge o país.

O ápice da crise argentina, no final de 2001, provocou a desvalorização da moeda local, o fechamento de bancos, o aumento da pobreza e uma onda de protestos.

Além de polêmica, a suspensão dos pagamentos da dívida também seria um duro golpe para o FMI, principal credor da Argentina.

As relações entre o fundo e o governo argentino foram abaladas nos últimos anos, com os dois lados trocando acusações sobre a responsabilidade pelos equívocos cometidos na condução de políticas econômicas no país.

'Conselhos ruins'

"Durante os últimos dez anos, alguns funcionários do FMI deram conselhos muito ruins à Argentina", afirmou o presidente argentino, Néstor Kirchner, durante o fim de semana.

Néstor Kirchner, presidente da Argentina
Kirchner adotou retórica anti-FMI em discurso no fim de semana

Kirchner também sugeriu ser contrário a uma compensação aos bancos pelos prejuízos registrados na Argentina nos últimos anos.

"Se nós falamos em compensar a Argentina, (vamos compensar) 50% do país na pobreza", disse o presidente em um discurso dominado por uma retórica anti-FMI.

À medida que o prazo para o pagamento da parcela da dívida se aproxima, analistas afirmam que o cenário passou do otimismo para a cautela.

A previsão inicial era de que a delegação do FMI na Argentina deveria retornar a Washington na sexta-feira, mas a missão do fundo decidiu adiar a viagem para negociações de última hora durante o fim de semana.

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