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Êxodo para a Europa Ocidental | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Mbour é uma pequena vila senegalesa a cerca de 100 quilómetros de Dakar, onde representantes de 30 países europeus e africanos estão reunidos numa conferência internacional a debater a questão da migração.
Este porto pesqueiro tornou-se internacionalmente famoso nos últimos meses depois de largas centenas de jovens de países da África Ocidental terem começado a usá-lo como ponto de partida para tentar chegar à Europa por via marítima. Mbour nunca antes havia sido associada à emigração ilegal. Há muito que a localidade é conhecida como um destino turístico devido à sua proximidade da estância de Saly, com as suas belas praias, temperaturas amenas e luxuosos hotéis, e há séculos que depende da pesca. Mas agora a nova geração acredita ter descoberto uma maneira melhor e mais rápida para encontrar dinheiro. Em vez de passar semanas a fio em alto mar a pescar, um recurso que dizem estar a escassear, muitos jovens de Mbour estão a partir para as Ilhas Canárias. Só este ano mais de 7 mil e 500 migrantes chegaram às Canárias, na esperança de atingir a Europa continental. Prisão A polícia senegalesa diz que o fenómeno ganhou verdadeira popularidade no início de Maio, mas potenciais emigrantes dizem que esta perigosa rota começou a ser usada em finais de 2005, ou pelo menos no início de 2006.
O primeiro grupo foi detectado pela polícia a 18 de Maio, depois de uma denúncia. “Na praia encontrámos 21 pessoas, que foram presas, incluindo o proprietário do barco, que era igualmente o organizador da viagem”, explicou o Comissário de Polícia de Mbour, Modou Diagne. Nenhum dos detidos tinha passaporte ou qualquer outro tipo apropriado de identificação, disse Diagne. “Mais de 2 milhões de Francos CFA (3 mil e 900 dólares) foram confiscados ao proprietário da embarcação”. Ele foi sentenciado a 6 meses de prisão; as restantes pessoas foram condenadas a 2 meses de detenção. Mas nem essas detenções nem os esforços das autoridades espanholas para interromper a contínua chegada de migrantes – ou mesmo as centenas de pessoas que morreram nesta perigosa viagem – servirão para dissuadir os jovens africanos. A intervenção das autoridades espanholas e senegaleses apenas serviu para que os potenciais migrantes sejam mais discretos em relação aos seus planos – mas não em relação ao seu desejo de partir para a Europa. Destroços No início deste ano, um homem com pouco mais de 30 anos, que me pediu para não ser identificado por recear poder vir a ser detido, tentou a travessia para as Ilhas Canárias.
Ele e 32 outras pessoas não foram bem sucedidos e passaram 4 dias em alto mar depois do barco se ter danificado. “Graças a Deus, conseguimos regressar a Mbour, porque éramos todos pescadores e conhecíamos o mar”, disse o homem, acrescentando que a experiência deixara-o mais determinado que nunca. “Se tiver a oportunidade, volto a tentar... mesmo amanhã. Se me disserem: ‘aqui está um barco pronto a partir’, eu embarco”. Assane Sow, de 31 anos de idade, teve menos sorte. Ele estava entre os detidos pela polícia em Maio quando tentava fazer a travessia para as Ilhas Canárias. A sua família responsabiliza o governo senegalês por não providenciar empregos e por não respeitar o direito das pessoas partirem à procura de empregos noutros sítios. “Ele não cometeu qualquer crime. Ele é carpinteiro mas não consegue fazer dinheiro”, disse a mãe de Assane, Diatou Sene, que aguarda ansiosamente pelo libertação do filho. “Toda a gente estava a dizer que em Espanha havia empregos e dinheiro para ganhar. Todos os seus amigos também se iam embora. Ele decidiu voluntariamente arriscar e concordámos com a sua decisão”. Tal como Assane Sow, muitos outros jovens com quem falei também estavam preparados para deixar as suas famílias de forma a ajudá-las a longo prazo. Pape Faye, um futebolista que encontrei no estádio de Mbour, sonha em continuar a sua carreira um dia na Europa. Ele está desesperadamente a tentar ajudar os pais e já tem um amigo que conseguiu chegar à Europa. “A única saída para mim é abandonar este país”, diz ele. Êxodo As autoridades senegalesas admitem haver um problema sério, mas alegam estar a fazer todos os esforços para controlar a situação.
“Assistimos a um verdadeiro êxodo, especialmente de jovens, muito antes do início deste fenómeno de migração por via marítima”, disse Magette Diop, do concelho de Mbour. Ele disse que um fundo criado para a promoção de empregos para os jovens e para as mulheres haviam já financiado mil e 200 projectos. Contudo, para Magette Diop, continuava a ser da responsabilidade do governo a criação de postos de trabalho para os jovens senegaleses. “Tudo o que podemos fazer a nível municipal é ajudar com pequenos projectos. Os jovens precisam igualmente de ser imaginativos. É realmente um problema, e eles precisam de empregos – bem remunerados – para ficarem aqui no Senegal”. A conferência de Dakar, que juntou representantes de cerca de 30 nações africanas e europeias, espera que o seu plano de acção conjunta lide com a crise através do desenvolvimento para encorajar os jovens africanos a permanecer no continente. Mas o seu plano será formalmente adoptado numa conferência sobre migração, que se realiza em Julho em Marrocos, e muita gente em Mbour não está disposta a esperar. Eles sentir-se-ão certamente encorajados pelas palavras do Ministro senegalês do Interior, Ousmane Ngom, que disse há dias que a emigração era imparável porque “continuava a ser um motor da história”. | LINKS LOCAIS Imigração: União Europeia à procura de política comum07 Fevereiro, 2005 | Notícias África ainda sofre com fuga de cérebros25 Abril, 2006 | Notícias ONU alerta para aumento de deslocados internos19 Abril, 2006 | Notícias Espanha envia tropas para enclaves africanos29 Setembro, 2005 | Notícias Sarkozy em África para explicar lei de imigração18 Maio, 2006 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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