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Blair e Bush discutem perdão total da dívida | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Altos funcionários de Administração Bush confirmaram que as autoridades norte-americanas e britânicas estão prestes a chegar a acordo sobre um programa de perdão total da dívida de alguns dos países mais pobres do mundo. Numa conferência de imprensa conjunta, na terça-feira à noite, antes do Primeiro-Ministro Tony Blair deixar Washington de regresso a Londres, ele e o Presidente George W. Bush expressaram-se optimistas em relação ao plano. Os governos africanos, que poderão ser os principais beneficiários, continuam a digerir os detalhes do programa. Cancelamento da dívida Este acordo para o perdão total da dívida é potencialmente de grande significado; envolve o cancelamento de cerca de trinta e quatro mil milhões de dólares de dívidas contraídas junto de instituições internacionais por mais de trinta dos países mais pobres do mundo - a maior parte em África. Tony Blair e George W. Bush reconheceram que alguns detalhes tinham ainda de ser finalizados mas o Presidente norte-americano aceitou que os países mais pobres não deviam ser estrangulados por montanhas de dívidas. Por sua parte, o Primeiro-Ministro Tony Blair assegurou a George W. Bush que os regimes corruptos não receberiam "alguma coisa em troca de nada". Diferença substancial Hilary Benn, o Ministro britânico para o Desenvolvimento Internacional diz que o cancelamento da dívida fará uma diferença substancial. "O grande mérito do alívio da dívida é que proporciona recursos estáveis. Se não se tem de fazer pagamentos mensais da dívida, pode-se então passar a dispender, durante anos e anos, esse mesmo montante mensal em áreas realmente importantes como a melhoria dos serviços de saúde e de educação". Mas David Woodward, o director da Fundação Nova Economia, uma organização que lida com economias nacionais e globais, diz ser importante que se tenha cuidado com essas promessas. "A história recente está repleta de promessas não cumpridas. Tanto o cancelamento de cem mil milhões de dívida anunciado em 1999 como a promessa, feita em 1970, de encaminhar 0,7% da renda nacional dos países ricos para os países pobres não fizeram grandes progressos". Cautela africana Os governos africanos continuam a digerir os resultados das negociações de Washington entre o Presidente George W. Bush e o Primeiro-Ministro Tony Blair. Nos últimos anos, o continente viu dezenas de planos e de promessas feitas e não cumpridas. A sua resposta ao anúncio do perdão total da dívida foi cautelosa. Eles sabem que as negociações de Washington foram apenas uma preparação para a cimeira das oito nações mais ricas do mundo, que se realiza em Julho na cidade escocesa de Gleneagles. Sabem também que se, eventualmente, houver boas notícias em relação à questão da dívida, o anúncio só será feito na cimeira do G8. Troca de ideias O antigo Primeiro-Ministro sudanês, Sadiq al-Mahdi, diz ser necessário que se troquem ideias sobre como deverá ser o novo relacionamento entre os países ricos e os países pobres. "Em termos de desenvolvimento económico, esperamos que haja uma parceria em que África se compromete com a boa-governação, com a democratização e com o combate à corrupção. O Ocidente deve responder com o perdão total da dívida porque a nossa dívida foi contraída numa altura em que existiam condições políticas que agora desapareceram". Alguns governos africanos já se manifestaram desapontados pelo facto de George W. Bush e Tony Blair não terem tocado nos problemas das barreiras comerciais e do acesso dos produtos africanos aos mercados dos países desenvolvidos. |
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