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Atualizado às: 30 de setembro, 2008 - 10h45 GMT (07h45 Brasília)
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Análise: Por que o pacote foi rejeitado?

Congresso americano
Parlamentares americanos rejeitaram pacote de US$ 700 bi
Por alguns instantes na segunda-feira, entre o último voto no Congresso americano e o anúncio de que o pacote de US$ 700 bilhões havia sido rejeitado, o mundo da política americana parece ter congelado.

Os votos na Câmara dos Representantes não são oficiais até que o martelo do presidente da Câmara seja baixado. Ao final da votação, o martelo ficou suspenso no ar – por um período que parecia uma eternidade.

Boatos começaram a circular pela Casa de que algumas congressistas ainda estavam tentando mudar a opinião daqueles que votaram contra o pacote.

Seria um passo extraordinário em uma democracia pedir a um integrante do Congresso para simplesmente reverter o voto em um assunto tão vital para o interesse nacional, sem um debate mais profundo.

Ganância e incompetência

Os boatos mostram o clima de tensão que o Congresso viveu diante do fracasso do pacote. Naquele momento, a Câmara parecia absorver muito lentamente a magnitude da decisão que havia sido tomada.

 Nós temos muito trabalho para fazer e isso é importante demais para simplesmente fracassar.
Hank Paulson, secretário do Tesouro dos EUA

Os integrantes rejeitaram que o Tesouro e o Federal Reserve haviam insistido ser vital para a estabilidade e a viabilidade do sistema financeiro americano – e para o sistema financeiro mundial.

O governo Bush argumentou que, sem o pacote e o dinheiro previsto no projeto, a economia americana começaria a emperrar até parar.

Todos sabiam que existia grande insatisfação entre republicanos e democratas com a natureza do plano do governo americano, mas poucos – ou talvez ninguém – previram que esse sentimento seria tão forte para provocar uma revolta deste tamanho.

Parlamentares vêm lidando com duas forças opostas na última semana.

 A legislação fracassou, a crise não foi embora.
Nancy Pelosi, líder democrata e presidente da Câmara

A primeira é uma pressão cruel da Casa Branca: o argumento de que o país enfrenta uma crise tão profunda que, sem a aprovação do plano do governo, o capitalismo americano fracassaria, com a forte redução do fluxo de dinheiro entre bancos.

Mas a segunda pressão, muito mais difícil de medir, veio dos eleitores comuns, que escreveram cartas ou e-mails para seus parlamentares, exigindo que eles rejeitassem o plano, visto universalmente entre eles como um resgate de banqueiros de Wall Street.

Os banqueiros são vistos como gananciosos e incompetentes que criaram esta crise para si mesmos, e que agora estão recebendo a permissão para bater a carteira dos eleitores americanos para resolver o problema.

Pior momento

A maioria dos democratas apoiou a lei, apesar das dúvidas sobre propostas de recuperar bancos irresponsáveis, em vez de correntistas e mutuários.

O problema de verdade começou no lado republicano, onde a grande maioria considerou que o plano seria uma medida antiamericana, contra as regras básicas do capitalismo.

 Havia uma dúzia de integrantes que nós acreditávamos que poderiam votar (a favor), mas tudo isso evaporou com o discurso (de Nancy Pelosi).
John Boehner, líder da minoria republicana

Para piorar tudo, isso veio no pior momento do ciclo político americano, quando as instituições poderosas geralmente não estão em plena posse das ferramentas de persuasão.

O presidente George W. Bush, com pouca autoridade devido à queda de sua popularidade, está no período do "pato manco", próximo dos últimos dias de sua presidência.

Ele simplesmente não tem os recursos para dar conta da tarefa.

Parlamentares não estão enfrentando apenas a abstrata necessidade de convencer seus eleitores – que é inerente a função de qualquer congressista. O problema é imediato: eles estão em campanha para serem reeleitos já em novembro.

E políticos se esquivam de decisões difíceis e impopulares, na melhor das hipóteses.

A pergunta mais freqüente em um momento como este é "o que acontecerá agora?". A resposta mais curta para isso é que o governo Bush, auxiliado pelos líderes dos dois partidos, terá de tentar novamente.

Eles podem oferecer concessões individuais para mudar a opinião de alguns parlamentares e eles certamente terão de reescrever partes da legislação – mas o governo americano nitidamente não poderá desistir.

Chilique

Antes que uma busca por uma negociação bipartidária seja retomada, pode-se esperar um pouco de "sangramento" político.

Alguns republicanos estão dizendo que estavam preparados para votar "sim" até ouvirem o fim do discurso da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, que criticou a ética da economia republicana, provocando-os a mudar de opinião na última hora.

Democratas rejeitam a idéia de que legisladores mergulhariam o sistema financeiro em caos só por um chilique.

A busca por uma solução já está em curso, mas podemos ter certeza que isso vai acontecer em um cenário de quedas generalizadas nas bolsas do mundo.

É possível que a sensação de uma crise global possa – perversamente – abrir caminho para uma saída.

Eleitores americanos não encararam esta crise como algo que afeta as suas vidas normais – eles vêem como um pacote de bem-estar social para plutocratas humilhados de Wall Street.

Se os problemas se aprofundam e as pessoas repentinamente vêem o desemprego aumentando, já que as empresas não conseguem dinheiro dos bancos para pagarem suas contas e honrarem suas folhas de pagamento.

Isso é uma avaliação otimista – de que os legisladores americanos e os eleitores, tendo percebido a dor e a ira, eventualmente vão ceder e entregar ao Tesouro o dinheiro que ele precisa.

A avaliação pessimista é quase assustadora demais para se pensar.

Nesse caso, a maioria dos congressistas, apoiados por seus eleitores, simplesmente não acreditaria que o plano poderia salvar o sistema financeiro, por causa dos seus problemas estruturais.

Se os alertas do secretário do Tesouro americano, Hank Paulson, forem verdade, uma decisão dessas daria início a uma era de catástrofe.

A resposta sobre qual desses cenários se confirmará será dada nos próximos dias, quando o Congresso voltar a decidir entre o "sim" e o "não".


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