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Atualizado às: 29 de setembro, 2008 - 02h00 GMT (23h00 Brasília)
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Congresso dos EUA fecha acordo sobre pacote econômico
Harry Reid, Nancy Pelosi e Christopher Dodd
Plano de US$ 700 bilhões deve ser votado na Câmara na segunda
Líderes dos partidos Republicano e Democrata no Congresso dos Estados Unidos chegaram neste domingo a um acordo sobre o texto do pacote de US$ 700 bilhões para socorrer o setor financeiro.

Os congressistas fecharam um acordo sobre detalhes do projeto, que tem mais de cem páginas e modifica pontos do plano original apresentado pelo governo, depois de negociações que se estenderam por todo o final de semana.

No final da tarde de domingo, o projeto foi publicado na internet. A previsão é de que o plano seja votado na Câmara dos Representantes nesta segunda-feira e chegue ao Senado até quarta-feira.

O Congresso deveria ter entrado em recesso na sexta-feira, mas teve de realizar uma rara sessão no fim de semana devido à necessidade de um acordo sobre o plano.

Congressistas e governo queriam que o acordo fosse fechado antes da abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira. Após o anúncio do acordo, as principais bolsas de valores asiáticas iniciaram os pregões de segunda-feira em alta.

"A festa acabou"

Ao falar sobre o acordo, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, disse que a mensagem para Wall Street era de que "a festa acabou".

Pelosi disse que o acordo bipartidário não é um resgate para Wall Street, e sim um projeto destinado a garantir que pensões, poupanças e empregos estejam seguros.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse que os americanos têm "toda a razão de estarem preocupados e até mesmo furiosos" diante da "ganância de Wall Street" e da falta de regulamentação.

No entanto, o senador afirmou que "todo americano tem interesse em consertar essa crise". "Inação paralisaria a economia", disse.

Ao comentar o acordo, o presidente George W. Bush disse que o projeto vai enviar uma mensagem de que os Estados Unidos estão comprometidos em restaurar a confiança em seus mercados financeiros.

"Esse projeto fornece as ferramentas e fundamentos necessários para ajudar a proteger nossa economia contra um colapso", disse o presidente em um comunicado.

Intervenção

O pacote representa a maior intevenção nos mercados desde a Grande Depressão da década de 30 e tem como objetivo principal retirar do mercado os “créditos podres” ligados à crise de hipotecas que estão em poder do mercado financeiro nos Estados Unidos.

O governo pretende comprar esses papéis para retirá-los da mão das empresas, fazendo com que sua situação financeira melhore, diminuindo o risco de falência e, em tese, aumentando o volume de dinheiro e crédito à disposição do mercado em geral.

O acordo contempla a maior parte das exigências dos democratas e dos republicanos que eram contra o pacote original proposto pelo governo.

Entre as mudanças estão a determinação de que os US$ 700 bilhões serão liberados em etapas.

O novo texto prevê a liberação de US$ 250 bilhões imediatamente e de outros US$ 100 bilhões a pedido da Casa Branca. Os US$ 350 bilhões restantes, porém, só serão liberados após aprovação do Congresso.

Os bancos que aceitarem o socorro financeiro terão de entregar ações em troca, o que permitirá que os contribuintes americanos possam se beneficiar da recuperação dessas instituições financeiras.

O acordo também estabelece limites para o pagamento de salários e benefícios a executivos das empresas que receberão socorro.

Quatro agência irão monitorar a implementação do plano, incluindo um conselho bipartidário.

Os bancos também serão obrigados a aderir a um programa de seguros para protegê-los de perdas com títulos lastreados em hipotecas.

Apesar das mudanças em relação ao pacote inicial, o novo plano ainda enfrenta críticas, e alguns legisladores já pediram a seus colegas que derrubem o projeto.

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