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Atualizado às: 13 de maio, 2008 - 19h04 GMT (16h04 Brasília)
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Líbano caminha para guerra civil, diz líder governista

Hariri em 2007, durante cerimõnia marcando os dois anos da morte de seu pai
Hariri afirma que um conflito xiita-sunita já teve início no Líbano
O líder sunita pró-governo Saad Hariri afirmou nesta terça-feira que o Líbano se encaminha para uma guerra civil se a situação persistir como está.

Hariri fez o comentário em uma coletiva para a imprensa em que também afirmou que um conflito sunita-xiita começou no país.

"O que aconteceu nestes últimos dias é um alarme de que uma guerra civil se aproxima", disse Hariri aos jornalistas.

Ele também afirmou que os governistas não negociarão com a oposição sob a mira de armas, e que a agressão ao povo libanês é um projeto para levar de volta a influência síria ao país.

"Eles (a oposição) atiraram na gente e depois pediram diálogo", disse Hariri. "Não haverá diálogo nem que atirem em nós. Podem nos ameaçar, mas não terão minha assinatura e a de Walid Jumblatt (outro líder governista)."

O governista também disse que espera pela proposta da Liga Árabe, cuja delegação deve chegar a Beirute na quarta-feira, e que tentará intermediar um acordo entre as facções pró e anti-governo.

Segundo Hariri, se um presidente tivesse sido eleito, o Líbano não estaria na situação em que se encontra. Ele culpa o Hezbollah e seus aliados pela violência e a situação interna do país.

Tensão

O Líbano passa pelo seu momento de maior violência desde o fim da guerra civil, em 1990. Na semana passada, militantes do Hezbollah entraram em choque com forças pró-governo em Beirute.

Os confrontos ocorreram depois que o governo fechou a rede de telecomunicações do Hezbollah e exonerou o chefe de segurança do aeroporto de Beirute porque ele seria simpatizante do grupo xiita.

A capital libanesa permanece sem registros de incidentes, mas tensa, com tropas do Exército libanês ocupando diversos pontos para evitar mais confrontos.

No entanto, confrontos e outros incidentes foram registrados em outros pontos do país.

Com suas rodovias de acesso bloqueadas pela oposição, o aeroporto permanece fechado.

A fronteira leste do Líbano com a Síria, conhecida como Masnaa, também está com sua estrada de acesso bloqueada.

A onda de violência, que já dura sete dias, deixou ao menos 60 mortos na capital, Beirute, e outras cidades. O número de feridos já chegou a quase 200.

Combates em Trípoli

Em Trípoli, no norte do Líbano, os confrontos voltaram a perder força no final da manhã desta terça-feira, após os intensos combates que eclodiram de novo nas ruas da cidade entre governistas e opositores, segundo autoridades locais.

Os militares libaneses afirmaram que, se necessário, poderão usar a força para restaurar a ordem.

Nos últimos 16 meses, o Líbano enfrenta um impasse político entre a coalizão de governo e a oposição liderada pelo Hezbollah a respeito da composição do governo.

O país está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, que é pró-Síria, deixou o cargo ao fim de seu mandato, após nove anos no poder, apesar de o Parlamento não conseguir indicar quem seria seu sucessor.

Estados Unidos

Em uma entrevista ao canal árabe da BBC, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que os Estados Unidos estão prontos para ajudar o governo libanês a fortalecer suas tropas para retomar do Hezbollah o controle do país.

Bush afirmou que o Hezbollah recebe o apoio do Irã e que é preciso desarmar o movimento, que o líder americano chamou de "força desestabilizadora" no Líbano.

"Não vejo como pode existir uma sociedade com o Hezbollah armado deste jeito. A qualquer momento, quando eles querem, eles agem", disse. "Neste caso, eles agiram contra o povo libanês, e isso deve enviar uma mensagem a todos de que eles são uma força desestabilizadora."

"O primeiro passo (contra o Hezbollah) é, claro, garantir que o governo (do primeiro-ministro Fuad) Siniora tenha a capacidade de responder com força militar eficaz", afirmou Bush.

Para Bush, o grupo xiita não seria nada sem a ajuda dos governos do Irã e da Síria.

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