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Atualizado às: 11 de maio, 2008 - 22h50 GMT (19h50 Brasília)
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Liga Árabe decide enviar delegação ao Líbano
Militantes pró-governo queimam sede do partido Baath, pró-Síria
A cidade de Trípoli foi palco de confrontos neste fim de semana
A Liga Árabe decidiu enviar uma delegação para o Líbano para tentar intermediar um fim aos conflitos que atingem o país há vários dias.

A delegação será liderada pelo ministro do Exterior do Catar, Sheikh Hamad bin Jassim, e incluirá o secretário-geral da Liga, Amr Moussa.

Segundo a correspondente da BBC no Cairo Heba Saleh, o grupo pretende conversar com todos os lados envolvidos no conflito libanês.

Após quatro dias de violentos confrontos em Beirute, outras regiões do país passaram a ser palco de episódios de violência neste fim de semana, como a segunda cidade mais importante, Trípoli, além de várias cidades nas montanhas ao leste da capital libanesa.

A nova onda de violência já deixou 49 mortos e 129 feridos, mas as três regiões estariam agora mais calmas depois da intervenção do Exército.

Monte Líbano

Na tarde deste domingo, houve combates entre o Partido Socialista Progressista (PSP), liderado pelo druso Walid Jumblatt, e o grupo xiita Hezbollah na região do Monte Líbano.

Várias cidades registram confrontos, entre elas Aley, Shweifat, Barsoun, Aitat, Keyfoun e Kmatyeh. Todas ficam na região montanhosa habitada pela comunidade drusa.

Jumblatt, que foi acusado pelo Hezbollah de traição, pediu ao líder druso rival Tarslan Arslan, que é aliado do Hezbollah, que intermediasse o fim dos confrontos.

O Hezbollah exigiu que todos os escritórios do partido de Jumblatt no Monte Líbano e na região de Hasbaya, outro reduto druso no sul do Vale do Bekaa, sejam entregues à oposição.

Depois de várias horas de confrontos, o Exército interveio e um cessar-fogo foi anunciado.

Trípoli

Na segunda cidade mais importante do Líbano, Trípoli, no norte do país, também foram registrados confrontos, que começaram na noite deste sábado e continuaram neste domingo.

Simpatizantes do Hezbollah e partidários do governo se enfrentaram nas ruas de Trípoli, munidos de metralhadoras e granadas.

Milhares de pessoas fugiram de suas casas, e três pessoas foram mortas na cidade no sábado.

Neste domingo, o Exército libanês ocupou a cidade para restaurar a segurança.

Aeroporto fechado

Já na capital Beirute, a oposição aumentou a quantidade de bloqueios em vários pontos da cidade, no dia seguinte à trégua entre o governo e o grupo xiita Hezbollah, que retirou suas milícias das ruas a pedido do Exército libanês.

O aeroporto internacional da capital continua fechado, e na manhã deste domingo a oposição enviou mais caminhões com montes de terra para reforçar as barreiras.

A fronteira leste do Líbano com a Síria permanece bloqueada, restando somente as estradas que levam às fronteiras do norte do país.

Mesmo assim, milhares de libaneses estão se refugiando no país vizinho para fugir da violência.

Medidas revogadas

No sábado, o Exército libanês revogou duas medidas contra o Hezbollah que geraram uma onda de violência que culminou com a tomada de poder de todo o oeste da capital pelo grupo xiita.

O chefe de segurança do aeroporto, que foi demitido por ter ligações com o grupo, foi restituído ao posto, e o Exército afirmou que lidaria com a questão da rede de comunicações do Hezbollah - que tinha sido declarada ilegal pelo governo libanês.

As tensões continuam altas no Líbano, e a trégua obtida no sábado pelo comando militar é frágil, segundo analistas no país.

Segundo eles, novos confrontos podem explodir em Beirute e em outras cidades.

O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado quando o pró-sírio Emile Lahoud deixou o cargo.

Governistas e oposição não conseguem chegar a um acordo sobre a formação de um futuro governo e novas leis eleitorais.

Apesar de ambas as facções políticas terem como consenso o comandante do Exército, general Michel Suleiman, para a presidência do país, já houve o adiamento de 18 sessões do parlamento para elegê-lo.

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