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Atualizado às: 09 de maio, 2008 - 17h54 GMT (14h54 Brasília)
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Anos depois de guerra civil, Beirute volta a ficar dividida

Atirador do partido xiita Amal em um cruzamento de Beirute
Atirador do partido xiita Amal em um cruzamento de Beirute
Beirute voltou a ficar dividida entre oeste e leste, como nos tempos da guerra civil que arrasou o Líbano ente 1975 e 1990.

Uma visita da BBC Brasil ao bairro de Hamra, um dos mais importantes da capital libanesa e sede de prédios do governo, se transformou em uma volta no tempo.

Atravessar o bairro onde fica a sede do governo não foi tarefa difícil. As ruas estavam desertas e somente soldados do Exército se encontravam posicionados para proteger o primeiro-ministro Fouad Siniora.

Mas, quando atravessamos a linha imaginária que separa as duas partes da cidade, logo encontramos militantes do partido xiita Amal (aliado do Hezbollah).

O rapaz, portando um fuzil de assalto M16, e seu companheiro, com um lança-granadas e rifle AK-47, olharam com ar desconfiado para o carro em que se encontravam os repórteres, mas nos deixaram passar.

Em cada esquina, rua ou praça havia militantes fortemente armados. Alguns vestidos com roupas civis, os recrutas e menos treinados, outros com roupas militares, os profissionais e bem treinados em campos de treinamento no Líbano.

Síria ou Irã

Havia um combinado de forças – os partidos xiitas Hezbollah e Amal e o partido Nacionalista Social Sírio estavam posicionados demarcando seu novo território com bandeiras de seus partidos.

Os combates começaram na quarta-feira com protestos pelo país e se transformaram em confrontos entre governistas e oposição. O combinado da oposição derrotou, em 24 horas, os militantes do movimento sunita Al-Mustaqbal, do líder Saad Hariri.

Mas eles fizeram mais do que isso, eles humilharam Hariri, que dois meses atrás havia declarado em rede nacional que seu movimento estava preparado para lutar se assim quisesse o Hezbollah.

No bairro de Hamra, pôsteres e faixas de Hariri (e deu seu pai Rafik Hariri, assassinado em 2005), que antes dominavam, agora deram lugar a símbolos da oposição.

Um militante com nome de Hassan disse que tinha a sensação de estar ocupando um território inimigo, um outro país, um outro mundo.

O cenário era de destruição, balas de fuzis espalhadas pelo chão, prédios com buracos causados pelos tiroteios e carros destruídos.

Poucos moradores caminhavam pelas ruas, que agora ganharam policiamento das milícias da oposição.

Neutro

O Exército libanês só olhava e, aparentemente, o comando das Forças Armadas libanesas escolheu se manter neutro no conflito. O mesmo Exército está em uma situação delicada e pode ver suas tropas se desintegrarem em grupos sectários leais a seus líderes.

Os guerrilheiros patrulhavam cada esquina e alguns até fumavam e apreciavam o Mar Mediterrâneo na avenida à beira-mar.

"Se os americanos querem invadir o Líbano, que venham", disse outro guerrilheiro, Mahmoud, à BBC Brasil.

Mahmoud se referia aos navios de guerra americanos que estavam estacionados nas águas internacionais na costa libanesa.

Na volta a Beirute leste, militantes montaram postos de controle para controlar a entrada e saída de veículos.

Um homem foi parado em um deles. Em seu pára-brisa, ele ostentava um adesivo com a foto do falecido Hariri.

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