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Atualizado às: 07 de maio, 2008 - 10h11 GMT (07h11 Brasília)
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Greve geral aumenta tensão no Líbano

Manifestantes ergueram barricadas nas ruas de Beirute
Manifestantes ergueram barricadas nas ruas de Beirute
Homens mascarados ergueram barricadas em várias avenidas de Beirute no Líbano, nesta quarta-feira de manhã, em apoio a uma greve geral convocada por sindicatos trabalhistas para exigir melhores salários.

A greve ganhou a adesão da oposição, liderada pelo Hezbollah, e teme-se um confronto entre governistas e militantes da oposição.

Várias estradas no país e ruas da capital Beirute foram bloqueadas com blocos de concreto, montes de terra ou carros, impedindo o tráfego de veículos.

Militantes também queimaram pneus em alguns pontos da capital e interior do país.

Tropas do Exército e forças de segurança estão posicionados em alerta máximo, com prédios do governo cercados com tanques e tropas, e o acesso vetado a veículos.

Militantes também bloquearam a estrada que leva ao aeroporto de Beirute, levando ao cancelamento de 32 vôos. O porto também foi afetado, com a avenida de acesso bloqueada com pneus queimados.

Embora os protestos tenham sido anunciados como pacíficos por sindicalistas e líderes da oposição, já houve incidentes registrados desde cedo, com vitrines de lojas destruídas em algumas ruas.

Homens usando balaclava jogaram uma granada contra soldados do Exército, deixando dois militares e duas pessoas feridas.

No início da semana, o comando das forças de segurança libanesas anunciou que montaria uma grande operação para assegurar que os protestos não se transformem em violência, mantendo a lei e a ordem civil.

Em janeiro do ano passado, protestos semelhantes levaram à morte de seis pessoas, com dezenas de feridos, como resultado de confrontos entre militantes dos dois lados políticos.

Renúncia

A greve tinha sido anunciada havia várias semanas, mas ganhou força depois que o general cristão Michel Aoun, aliado do Hezbollah, conclamou a oposição para aderir ao movimento e exigir a renúncia do primeiro-ministro Fouad Siniora.

De acordo com o Hezbollah e outras lideranças, os protestos não têm data definida para terminar, podendo paralisar ao país e a economia como forma de derrubar o governo.

O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado.

As facções políticas não conseguem chegar a um acordo para eleger um novo mandatário do país, aumentando o medo de um confronto entre facções rivais, o que poderia levar a uma guerra civil.

Os protestos da oposição são vistos como uma nova tentativa de derrubar o governo bloquendo a economia do país.

No final de 2006, manifestantes montaram um acampamentos em volta do prédio do governo para exigir a renúncia de Siniora. O acampamento continua até hoje e paralisou o centro de Beirute, mas sem conseguir, no entanto, seu objetivo.

Colisão

Segundo analistas, com a economia cada vez pior e as classes mais baixas mais descontentes, a oposição ganhou novo impulso para tentar derrubar o governo.

Há o temor de que os protestos levem os blocos governistas e oposição a um rota de colisão, já que as demonstrações serão realizadas em bairros onde o governo tem forte apoio popular e base partidária.

Há duas semanas, a pressão sobre o Hezbollah aumentou devido a acusações do governo de que estaria monitorando o aeroporto com câmeras de vigilância. O governo retirou do posto o chefe de segurança do aeroporto, acusado de ter ligações com o grupo xiita.

Políticos governistas também acusaram o Hezbollah de ter uma rede privada de telecomunicações que estaria sendo usada pelas forças de inteligência sírias.

O Hezbollah confirmou que teria tal rede, mas disse que seria parte de sua estrutura de ‘segurança’ e que não toleraria interferências do governo na sua rede de comunicações.

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