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Atualizado às: 23 de novembro, 2007 - 20h31 GMT (18h31 Brasília)
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Presidente libanês cogita estado de emergência
O presidente do Líbano, Emile Lahoud
Saída de Lahoud deve intensificar tensão política no país
O presidente do Líbano, Émile Lahoud, disse nesta sexta-feira por meio de um porta-voz que existem condições no país para que seja decretado um estado de emergência e determinou que o Exército assuma o controle da segurança nas ruas.

O anúncio foi feito depois de parlamentares libaneses terem adiado para o dia 30 a sessão que escolheria o novo presidente.

Na prática, isso significa que o país ficará sem presidente durante uma semana, já que o mandato de Lahoud expira à meia-noite desta sexta-feira, hora local (20h em Brasília).

Segundo a Constituição libanesa, depois da saída de Lahoud, a Presidência deve passar a ser ocupada pelo primeiro-ministro, Fouad Siniora, que pertence a um grupo político contrário à influência da Síria no país.

Lahoud, que é pró-Síria, não reconhece o governo do primeiro-ministro e prometeu não transferir a ele o cargo. Ele quer nomear o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, como seu sucessor temporário.

Por sua vez, Siniora disse que a declaração divulgada pelo presidente nesta sexta-feira é inconstitucional e não tem qualquer validade.

Tensão

Com o fim do mandato de Lahoud, agravam-se os temores de que o Líbano mergulhe em uma crise política ainda mais profunda.

A correspondente da BBC em Beirute, Kim Ghattas, afirma que a situação permanece tensa no país, e o Exército está nas ruas.

Segundo Ghattas, Lahoud não pode decretar estado de emergência sem o respaldo do governo que ele mesmo não reconhece.

A maioria parlamentar, que tem o apoio dos governos ocidentais, chegou a se reunir para a votação de um novo presidente, mas a sessão teve que ser adiada por falta de quórum, graças a um boicote da oposição.

De acordo com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, o adiamento da votação vai dar aos legisladores mais tempo para discutir um candidato de consenso.

Ministros de Relações Exteriores da França, da Itália e da Espanha, que estão no Líbano há vários dias para atuar como mediadores entre os grupos rivais, já manifestaram dúvidas sobre a possibilidade de um acordo.

O chanceler italiano, Massimo D'Alema, chegou a afirmar na quinta-feira que seria difícil conseguir eleger um novo presidente dentro do prazo.

Ghattas disse que o impasse aumenta o temor de que a crise no país se aprofunde, inclusive com a possibilidade de que a oposição crie um governo rival, como ocorreu durante a guerra civil.

Regras

No Líbano, o candidato precisa de uma maioria de dois terços dos membros do Parlamento para ser eleito presidente.

Essa regra impede que o grupo anti-Síria, que comanda o Parlamento com pequena maioria, possa garantir a vitória de seu candidato.

Por isso, é necessário um acordo com a oposição, mas até agora os grupos rivais não conseguiram escolher um candidato de consenso.

Países como Estados Unidos, Rússia, Síria e Irã acompanham com interesse o desenrolar das eleições.

Na segunda-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, telefonou para os principais líderes políticos libaneses para discutir a questão.

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