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Atualizado às: 20 de março, 2008 - 09h04 GMT (06h04 Brasília)
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Temor de nova guerra leva libaneses a buscar proteção

tropas da ONU no Líbano
Tropas da ONU patrulham a fronteira do Líbano com Israel
O temor de uma nova guerra entre Hezbollah e Israel está levando muitos libaneses a tomar medidas para não serem pegos de surpresa, como no último conflito, em 2006.

Enquanto muitos pedem a renovação de passaportes, outros começaram a deixar o sul, que faz fronteira com Israel, alugando casas em regiões mais “seguras”.

Após o discurso do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, no dia 14 de fevereiro, em que ele declarou uma “guerra aberta” a Israel, a população libanesa começou a esperar pelo pior, temendo que um novo conflito poderia estar se desenhando.

A declaração de Nasrallah veio depois que Imad Mughniyeh, um importante comandante do Hezbollah, foi assassinado em um atentado a bomba em Damasco, capital da Síria, no dia 12 de fevereiro.

O grupo xiita, o Irã e a Síria acusaram Israel de envolvimento, o que foi negado pelo governo israelense.

Segundo a Segurança Geral (a polícia federal do país) o número de emissões de passaportes aumentou desde fevereiro.

Em Tiro, cidade costeira no sul, e bombardeada na guerra de 2006, os pedidos do documento passaram de 75 para 400 por dia.

“As pessoas estão com medo, e não querem ser pegas de surpresa, como em 2006”, disse uma autoridade local.

Violação

Os governos dos Estados Unidos e de Israel temem que, após os 40 dias de luto pela morte de Mughniyeh, que termina neste dia 22, o Hezbollah poderá atacar interesses israelenses no exterior como vingança.

Um comunicado emitido pelo exército libanês na terça-feira disse que um navio de guerra israelense violou as águas territoriais libanesas e foi interceptado por um navio italiano da Força Interina da ONU no Líbano (Unifil).

O governo israelense já colocou todo o norte e representações no exterior em alerta máximo, e avisou que qualquer ataque vindo do grupo xiita será retaliado.

O envio de navios de guerra dos Estados Unidos a águas internacionais perto da costa libanesa também elevou a tensão no Líbano.

Mudança

Em Baalbek, no Vale do Bekaa, uma importante cidade dominada pelo Hezbollah, uma autoridade local disse que houve um aumento de 30% no pedido de passaportes.

O mecânico Ali Zaher já providenciou a documentação para toda a família e diz não querer passar pela mesma situação de 2006.

“Naquela vez sofri muito, eu e minha família tivemos que sair às pressas. Desta vez queremos estar preparados, não agüentaríamos passar por tudo aquilo de novo”, desabafou.

Quem mora no sul sabe que a região poderá ser alvo de bombardeios israelenses e passou a procurar novas cidades para morar, geralmente áreas cristãs ou muçulmanas sunitas, consideradas mais seguras.

Um dos comandantes militares do grupo xiita no sul do Líbano, identificado como Abu Haidar, disse à BBC Brasil que tomou providências imediatas após o discurso de Nasrallah.

“Primeiro eu deixei os passaportes de minha esposa e filhos prontos. Depois, retirei meus pais da nossa cidade natal, no sul do Líbano, e os trouxe a Beirute”, disse Abu Haidar.

A esposa, também libanesa, entrou com pedido de visto para o Brasil, já que os três filhos do casal têm a cidadania brasileira por terem nascido no país.

“A guerra está cada dia mais próxima, muitos de meus colegas começaram a retirar seus familiares. Estamos em alerta máximo e prontos para lutar contra Israel”, salientou ele.

Chance para o azar

O engenheiro civil Mohamed Hajjar decidiu que não quer dar chance para o azar. Todos os dias ele procura, em jornais ou sites na internet, apartamentos em outros bairros da capital.

“De preferência na zona norte e se for cristão, melhor ainda”, disse Hajjar.

Em 2006, bombardeios aéreos de Israel atingiram a casa de seus pais na sua cidade natal, Sultaniyeh, no sul do país, e um míssil israelense atingiu um bairro não muito longe de sua casa em Beirute.

“Muitos amigos meus também estão procurando novas áreas para morar, outros até pedindo vistos para viajar para outros países, e alguns estocando comida em freezers no caso de emergências. O sentimento geral é de que a guerra está cada vez mais perto”.

Brasil

O perigo de uma nova guerra está refletindo também no consulado brasileiro em Beirute.

Segundo o cônsul-geral, Michael Gepp, nas últimas semanas houve um aumento significativo de pessoas pedindo vistos para o Brasil, com uma média de 10 pedidos diários.

“Notamos que houve um aumento, mas adotamos uma política minuciosa na seleção de concessões de vistos ao Brasil, para evitarmos futuros problemas com imigrações”, disse Gepp, acrescentando que cerca de 20% dos pedidos de vistos para o Brasil são negados.

O cônsul também informou que o consulado montou uma operação conjunta com o Paraguai para trocar informações sobre pedidos de vistos de cidadãos libaneses.

“Temos consciência de que Brasil e Paraguai são destinos de imigração e vistos recusados por um consulado é negado também pelo outro”, completou o cônsul.

De acordo com a imprensa local, cidadãos libaneses também têm procurado vistos para Canadá, Europa, Estados Unidos e países do oeste da África ou do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes, Catar e Árabia Saudita.

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