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Atualizado às: 09 de maio, 2008 - 09h27 GMT (06h27 Brasília)
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Milícia do Hezbollah já controla vários bairros de Beirute

Facções rivais entram em choque em Beirute
Choques em Beirute entram no terceiro dia
A milícia xiita Hezbollah (e seu aliado Amal) já controla vários bairros da Beirute oeste no terceiro dia de confrontos nas ruas da capital libanesa, segundo informações da imprensa local.

A oferta de trégua do líder sunita governista Saad Hariri foi rejeitada pelo Hezbollah e a residência oficial dele foi atingida por fogo de lança-granadas, em meio aos confrontos entre militantes pró e contra o governo.

Guerrilheiros da milícia xiita atacaram inclusive os prédios do canal do Future TV, do jornal al-Mustaqbal e rádio Ash Sharq, todos pertencentes a Hariri.

De acordo com fontes do Exército, os milicianos disparam com fuzis e lança-granadas contra os prédios e depois entregaram o controle para os militares, com a condição de que as emissoras encerrassem as transmissões e evacuassem seus funcionários.

Forças de segurança informaram que o Hezbollah tem guerrilheiros posicionados em 11 bairros da capital e já detém o controle dos bairros de Hamra e Verdun. Há tiroteios nas imediações das residências de Hariri e do líder druso Walid Jumblatt.

Há informações de que negociações estão em andamento para que Jumblatt possa deixar a área em segurança e, de acordo com emissoras libanesas, os seguranças do ministro da Informação, Ghazi Aridi, se renderam e entregaram suas armas às milícias da oposição.

Golpe?

O governo acusa o Hezbollah e seus aliados de tentativa de golpe de estado, enquanto o Exército tenta controlar os combates entre facções rivais.

A situação em Beirute é tensa, e grande parte das ruas estão vazias, com parte da população procurando refúgio em outras áreas ou nas montanhas.

Os combates diminuíram durante a noite, mas voltaram com mais força na manhã desta sexta-feira.

O número de mortos já chega a 12 e 15 pessoas ficaram feridas nos confrontos desde quarta-feira, mas o número pode ser maior, já que não há informações de outras áreas da cidade.

Há informações de que milícias ligadas a Hariri se entregaram aos oposicionistas no Vale do Bekaa.

Algumas estradas foram reabertas no interior do país, mas a rodovia que leva à fronteira com a Síria continua fechada, assim como o aeroporto de Beirute.

Guerra civil

A crise começou na manhã de quarta-feira quando sindicatos pró-oposição realizaram uma greve geral para exigir aumento de salários. Os protestos logo enveredaram para a violência, com militantes pró e antigoverno travando batalhas nas ruas da capital.

A oposição exige a renúncia do primeiro-ministro, Fouad Siniora, que tem o apoio dos Estados Unidos e de outros países ocidentais. O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado, quando o pró-sírio Emile Lahoud deixou o cargo.

Desde então, governistas e oposição não conseguem chegar a um acordo, com a sessão do parlamento para eleger o novo presidente tendo sido postergada 18 vezes.

Analistas vêem como delicada a situação no Líbano. Segundo alguns, o governo caminha para o colapso sem que seus aliados, como a Arábia Saudita e o Egito, tenham mostrado, até agora, sua influência regional.

Na semana passada, os governos saudita e egípcio haviam advertido a oposição contra uma tentativa de atacar os sunitas do Líbano. Nas ruas, as milícias sunitas praticamente têm lutado sozinhas contra o Hezbollah e seus aliados.

Por enquanto, nem os drusos de Jumblatt, nem os cristãos da Falange e Forças Libanesas se envolveram efetivamente nos confrontos.

Para a imprensa local, o país está à beira da guerra civil e o exército sofre com a ameaça constante de se desintegrar em grupos sectários leais aos seus líderes.

O Irã e Síria, países que apóiam o Hezbollah, também não se manifestaram sobre os acontecimentos no país.

Conselho de Segurança

Na quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU colocou a situação das milícias e confrontos nas ruas de Beirute como o assunto principal de sua reunião em Nova York. Um comunicado do Conselho fez um apelo pelo retorno da calma no Líbano.

O enviado especial para o Oriente Médio, Terje Roed-Larsen, advertiu o Conselho de que a situação no Líbano era a pior desde o fim da guerra civil (1975-1990).

“O que nós presenciamos hoje ilustra a necessidade de integrar as milícias libanesas ao Exército. Se isso não for feito, eu temo que o que estamos presenciando hoje continuará”, disse Larsen.

A Casa Branca já havia divulgado uma nota na quinta-feira em que condenava as ações do Hezbollah e exigia que o grupo parasse suas “atividades desordeiras”.

“O Hezbollah precisa fazer uma escolha – ser uma organização terrorista ou um partido político, e não tentar ser os dois”, disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.

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