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Atualizado às: 20 de março, 2008 - 18h20 GMT (15h20 Brasília)
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Sodoma, Gomorra, New York, New York

Os políticos de Nova York nunca jogaram no time dos puritanos. Já nos primeiros anos da República, os líderes do Estado apimentavam as conversas das melhores e piores famílias com seus escândalos sexuais.

Mais recentemente, Franklyn Roosevelt e a mulher tinham seus affairs. E o coração de um dos mais famosos republicanos do país, o ex-vice-presidente e ex-governador Nelson Rockfeller, bombou pela última vez quando ele estava na cama com a sua secretária. Ele tinha 71 anos.

Já estava divorciado e aposentado, mas isto foi em 79, quando os puritanos americanos ainda não elegiam presidentes divorciados. O primeiro foi Ronald Reagan, em 80.

Desde então, não por causa de Ronald Reagan, o mais fiel dos maridos, os tablóides e até a imprensa menos colorida passaram a se interessar por sexo e registram 50 casos de prefeitos, legisladores, governadores e presidentes em camas allheias. Ou, como no caso de Bill Clinton, nas poltronas.

O estado vizinho, Nova Jersey, não deixa por menos. O ex-governador que se declarou gay ainda no mandato está nos tribunais brigando com a mulher pela custódia da filha. Entre as revelações, o casal e o motorista tinham um ménage à trois durante anos.

São histórias sórdidas, mas irresistíveis, porque na maioria dos casos envolvem políticos ou líderes hipócritas, condenadores e intolerantes.

O governador de Nova York, Eliot Sptizer, estava na minha lista e de milhões de nova iorquinos de prováveis futuros presidentes da República: preparado, incorruptível, idealista, incansável.

A rapidez da queda foi diretamente proporcional à sua atitude de justiceiro implacável. Como promotor, assombrou a Wall Street com uma calculadora que não perdoava centavos.

Tretou, relou, o banqueiro/investidor ganancioso e multimilionário saía algemado da melhor sala, humilhado diante de empregados perplexos.

Com a prostituição, o chamado "crime sem vítimas", Spitzer não só desmontou redes e processou cafetões como, logo depois da posse, assinou uma lei que pune o "consumidor".

Ou seja, pode ser usada contra ele porque já era sócio do Clube do Imperador que oferecia as moças.

Logo ele, com seu faro de labrador, caçador de contas misteriosas e ouvido apurado para conversas alheias, deixou mais pistas pelo caminho que animal ferido. O governador tinha faro e ouvido, mas perdeu a visão com as ninfas do clube.

No lugar dele entrou um cego, político do Harlem, o terceiro negro na história americana a governar um Estado desde o período da reconstrução do sul, depois da Guerra Civil.

Enquanto Spitzer vive seu pedadelo, Paterson vive o sonho americano. O novo governador não enxerga, mas é famoso pelo tato e não só o político.

David Paterson fez uma confissão preventiva: mexia, e muito, fora da cama da própria mulher. E ela também rolava noutros lençóis entre 1999 e 2001 quando o casamento entrou em crise.

Eram muitas mulheres, não se lembra exatamente de quantas, mas tinha até uma funcionária pública.

Com mais de vinte anos na assembléia estadual antes de chegar a vice-governador, no trato com os colegas Paterson é cordial e conciliador, o oposto do governador caído.

A confissão dele mereceu editoriais e apoio inclusive dos adversários republicanos. Contou está contado e zerado, é o que nos garantem.

Não acredite. Como a gente sabe, político raramente conta a história toda. Os labradores já estão cavando as prestações de contas dele e num dos cartões de crédito aparecem certas despesas com hotéis e refeições pagos com dinheiro que só podia ser usado para campanha política.

A lua de mel da imprensa com o primeiro governador negro e cego de Nova York pode salgar depressa.

Arquivo - Lucas
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