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Atualizado às: 24 de janeiro, 2008 - 07h46 GMT (05h46 Brasília)
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Telas sangrentas, ruas seguras
Neste Oscar jorra brutalidade nos dois filmes com mais indicações: Onde os Fracos não têm Vez e Sangue Negro. Desejo e Reparação também é um baixo astral melancólico na festa dos astros.

Conduta de Risco é sombrio e Juno é o único raio de sol, e ainda não sei porque o filme entrou na lista dos 5 melhores. Tive três filhos adolescentes e nunca vi jovem conversar como nos diálogos de Juno, que foram escritos pela roteirista Diablo Cody.

Com este nome, ela é mais fera do que gata, com um passado de strip-teaser, segundo ela uma experiência que gerou um outro roteiro. Não se arrepende nem um pouco e se o "equipamento" ainda estivesse em forma, diz ela, teria o maior prazer em exibi-lo. Caidinho, não interessa.

Diablo Cody é mais interessante do que o filme que ela escreveu, mas os adolescentes americanos, milhões de pais também e os eleitores do Oscar acharam Juno um sonho. Já rendeu US$ 87 milhões. Para uma produção independente e barata, é um sonho quase perfeito, porque não vai levar o Oscar de melhor filme.

Agora preste atenção porque esta coluna vai fazer uma curva fechada e não quero perder você. O tema não é o Oscar nem as tetas e o traseiro decadente da Diablo Cody: esta coluna é sobre violência no cinema e nas ruas americanas.

Se dois economistas, Gordon Dahl, da Universidade da Califórnia, em San Diego, e Stefano Della Vigna, de Berkeley, estão certos, os dois filmes violentos deste Oscar vão salvar milhares de vidas e Juno vai ser responsável por milhares de mortes.

Estes dois economistas estudaram a conexão entre filme violento e homicídios. A conclusão deles é simples: quando a moçada que mata, aquela na faixa dos 18 aos 25, está no cinema vendo morte de mentira em vez de encher a cara de álcool e drogas, as ruas ficam muito mais seguras.

Durante dez anos, os dois economistas examinaram os números de crimes nas cidades quando estrearam filmes violentos. A queda de mortes foi, em média, de 52 mil num ano, mais de meio milhão na década.

E o efeito não é só no dia da estréia. Na segunda e terça-feira subseqüentes, o número de crimes também diminuiu. Em compensação, nas estréias de filmes inocentes, como Juno, o crime aumenta.

Associações de pais, professores e psicólogos do país inteiro estão surpresos e incrédulos com o estudo dos dois economistas, que não têm nenhuma simpatia por violência.

Um deles, Gordon Dahl, é mórmon e não teve estômago para assistir nem A Lista de Schindler. Pai de quatro filhos, instalou um DVD player em casa com um dispositivo que elimina todas as cenas de sexo e violência dos filmes e shows.

O professor admite que não é preciso ter sangue e morte para atrair jovens criminosos para o cinema, mas Hollywood ainda não descobriu a fórmula de conquistar criminosos sem violência.

Se os professores estão certos, Sangue Negro e Onde os Fracos Não têm Vez merecem um novo prêmio, o Oscar da Paz.

PS: Na dúvida, testei esta coluna com o Caio Blinder. Ele achou que está meio doidinha, mas que mereço o Oscar de roteiro original.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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