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Nas barbas, mais do que molho | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nesta campanha presidencial americana temos, de cara, uma mulher, um negro, um mórmon (Mitt Romney), um pastor evangélico (Mike Huckbee), um italiano (Rudy Giuliani), um ator (Fred Thompson), tivemos um latino (Bill Richardson) e talvez pinte um judeu (Michael Bloomberg). Barbudo? Nem pensar! Nem bigodudo. Os cabelos sumiram das caras dos políticos americanos desde Willliam Taft em 1916 e, na próxima eleição em novembro, o país vai comemorar 108 anos de cara limpa na presidência. A barba presidencial americana começou com Lincoln, que recebeu uma carta de uma menina de 11 anos dizendo que ele ficaria mais bonito com pêlos no rosto. Ele venceu a eleição ainda de cara limpa, depois seguiu o conselho da menina e foi um dos maiores presidentes dos Estados Unidos. E um dos mais feios, com ou sem barba. Depois de Lincoln, sete dos nove presidentes americanos seguintes usaram pêlo na cara, quase todos republicanos, mas a partir de Taft, a barba política caiu em desgraça. Não há uma boa explicação. Uma das teorias é que a barba parece esconder alguma coisa. Fica melhor em pintura do que fotografia ou televisão. Você já deve ter notado que muitos presidentes americanos não só têm pinta de galã como um deles, Ronald Reagan, fez a transição da tela para o cinema. Este ano pelo menos dois candidatos poderiam fazer o caminho inverso: o republicano Mitt Romney e o democrata John Edwards são ídolos de matinê, mas nenhum dos dois jamais deixaria um fio de barba interferir na boniteza deles. Fora dos Estados Unidos a barba ainda tem prestígio político e entre os líderes barbudos mais conhecidos estão Fidel Castro, o nosso presidente Lula, Ahmadinejad, no Irã, e quase toda liderança árabe onde o cabelo facial é religioso. Nas décadas de 60 e 70 a barba dos hippies foi símbolo de protesto anti capitalista e antiguerra, mas o barbudo mais famoso dos últimos tempos foi o Ted Kaczynski, o Unibomber que mutilou e matou acadêmicos com cartas bombas. A barba ficou associada à loucura dele. Esta semana a polícia de Nova York baniu a barba, cavanhaques, costeletas e arranjos estranhos no cabelo. O bigode ainda é legal e policiais que trabalham disfarçados podem usar o que der na cara e na cabeça. Entre os Yankees, time de beisebol, pêlo, só escondido. Quando contrataram Johnny Damon por 52 milhões de dólares, a condição sine qua non imposta pelo dono foi que ele cortasse o cabelo e a barba. Por 52 milhões, há quem corte muito mais. A barba grande entre os escritores em greve em Hollywood é mais uma mensagem do que um protesto: a cara vai ficar suja enquanto não houver acordo com os produtores. Pelo jeito vai bater na cintura. Dois campeões de audiência nos talk shows, David Letterman e Conan O'Brien também deixaram a barba crescer enquando estavam fora do ar por causa da greve: "Não tinha mais nada pra fazer", disse O'Brien. Eu experimentei barba uma vez, mas desisti com aquela coceira da terceira semana. Tenho um irmão, o Vuarez, com mais disposição e perfil de galã. Deixou a barba crescer quando tinha uns 20 anos e depois de mais de três décadas, quando raspou, foi aquele espanto entre amigos e parentes. Nem os filhos o conheciam sem barba. Alguns comentaram que com a nova cara ficava parecido comigo. Ele deixou a barba crescer de novo. Tá bonito que dói. |
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