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Atualizado às: 28 de fevereiro, 2008 - 15h02 GMT (12h02 Brasília)
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Damobama

Michele LaVaughn Robison Obama. Com este nome franco-africano Dama Obama, dia-a-dia mais primeira, é, como o marido, a realização de um sonho americano, mesmo sem chegar à Casa Branca.

Nasceu na parte pobre de Chicago, filha de um funcionário público municipal que trabalhava do departamento de águas e teve distrofia muscular aos vinte, Michele cresceu num apartamento de um quarto com o irmão Craig, um atleta que conseguiu entrar em Princeton pela quadra de basquete.

Apesar das limitações, era uma família unida, com uma mãe afetuosa e um pai que jamais levantou a voz com um deles. Bastava dizer: "você me decepcionou" e eles desmontavam.

Michele, que não tinha um currículo acadêmico excepcional, também conseguiu entrar em Princeton e acha que foi mais pelo talento do irmão do que o programa de quota ação afirmativa para integração racial.

Na universidade ela conta que nunca se sentiu tão negra. Cercou-se de amigas negras e freqüentava a o café Third World Campus, um ponto de encontro de várias raças e poucos brancos que preferiam os restaurantes e clubes mais tradicionais da universidade.

Michele via na atitude deles a superioridade e a condescendência de quem dizia "você está aqui só pela cor".

A tese de sociologia dela foi sobre esta experiência de ser negra numa das universidades mais exclusivas do país, mas ela não mostra nem fala sobre a tese. Diz que não se lembra direito.

Conseguiu outra façanha acadêmica ao ser aceita na Faculdade de Direito de Harvard, aí sim, por notas e mérito, de onde saiu para uma firma de advogados poderosos de Chicago onde tinha um salário alto, mas se entediou com o departamento de direitos autorais.

Lá conheceu um advogado novato que chegou com fama de gênio, também vindo de Harvard e foi incumbida de treiná-lo, mas depois de pouco tempo ele propôs que saíssem juntos. A princípio relutou e não estava tão impressionada com o gênio.

No primeiro encontro foram para o porão de uma igreja onde Obama arregaçou as mangas e falou para grupo de pobres da vizinhança sobre "o mundo como é e como deveria ser".

À noite e nos fins de semana ele era líder comunitário e Michele percebeu que estava diante de um homem diferente.

Depressão

Ela teve uma crise de depressão em 91 com a morte do pai e de uma das melhores amigas, deixou o emprego bem pago de advogada e foi trabalhar por muito menos para prefeitura de Chicago. Hoje ganha US$ 275 mil por ano como executiva de um hospital responsável por um programa que leva médicos para comunidades pobres.

Quando Obama decidiu disputar a cadeira do senado em 2003 ela tentou fazê-lo mudar de idéia e estava cheia de dúvidas sobre a campanha presidencial, preocupada com a segurança do marido e com a fonte do dinheiro. Exigiu, entre outras coisas, que ele parasse de fumar.

Michele não participa do debate sobre a plataforma política nem da estratégia da campanha, mas está sempre envolvida. Antes da primária de Iowa ela fez 33 discursos em 8 dias.

O casal tem duas filhas de 6 e 9 anos e o senador abre a agenda para reuniões de pais na escola, shows, festas e aniversários das filhas.

Diante de obamistas deslumbrados que vêm nele mais do que um homem, Michele cuida da humanização do marido: ele ronca, tem mau hálito de manhã, deixa meias espalhadas pela casa e a manteiga fora da geladeira.

Com 1,80 m no salto alto, um corpo sólido sem gordura á vista, é uma mulher vistosa como dizem em certas partes do Brasil.

Leva fama de mandona, mas, com mais de mil aparições públicas, recebeu poucas críticas.

Uma quando perguntaram se apoiaria Hillary Clinton caso fosse a candidata do partido, Michele disse que precisaria pensar, mas depois disse que a resposta foi editada e que apoiara sem hesitar.

A outra quando disse que "pela primeira vez na vida sentia orgulho do país".

Esta, até hoje, ela e o marido estão tentando corrigir. E há uma outra correção que ela poderia ter feito com seu salário de US$ 275 mil e ainda há tempo: uma visita ao ortodontista.

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