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Votação no Paquistão termina sem violência | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As eleições gerais paquistanesas foram encerradas nesta segunda-feira sem grandes incidentes violentos durante o período de votação. O governo colocou em vigor um forte esquema de segurança incluindo cerca de meio milhão de agentes de segurança para garantir o andamento pacífico do pleito. Além de 80 mil integrantes do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos Rangers, grupos armados que ambém atuam sob o comando das Forças Armadas. Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado. A apuração teve inicio imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (horário local, 9h de Brasília). Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito. No último dia da campanha eleitoral, sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o homem-bomba, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP. Sem medo Mesmo com a ameaça de violência rondando este pleito, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para depositar seu voto disseram não se sentir em risco. "Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege", afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi. O local de votação exclusivo para homens ficava a apenas alguns metros do posto feminino. Eles entravam de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se têm medo de possíveis atos violentos, todos dizem que não. "Deus vai nos proteger e nada vai acontecer. Essas eleições são importantes para mudar o país", afirma Abdullah Aviu. Mas alguns analistas acreditam que um grande número de pessoas deixou de votar por causa do medo da violência e esperam um comparecimento ainda menor do que os 41% que votaram nas ultimas eleições, em 2002. Bhutto
As eleições estavam inicialmente previstas para janeiro, mas foram adiadas depois que a ex-premiê Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro. A morte de Bhutto foi um dos principais assuntos da campanha, com vários candidatos tentando associar sua imagem à dela. No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenires. Alto-falantes repetem de tempos em tempos seus discursos. O lugar atrai vários admiradores da ex-primeira-ministra. Mahmoud Akhram diz que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Bhutto e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião. "Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite", diz ele. Mahmoud sorri ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que já depositou seu voto. "Votei no PPP por Benazir, claro. Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo." Fraude Em meio às acusações de que o governo tentaria fraudar o pleito, a maioria das sessões eleitorais teve representantes dos partidos fiscalizando o andamento dos trabalhos. Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admite que ocorrerá fraude no pleito da segunda-feira. Qayyum afirma que a gravação, além de falsa, é uma tentativa de desestabilizar o país. Já o presidente Pervez Musharraf afirma que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram. |
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