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Atualizado às: 18 de fevereiro, 2008 - 14h44 GMT (12h44 Brasília)
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Votação no Paquistão termina sem violência

eleitor no Paquistão
Autoridades paquistanesas afirmam que a votação será livre e justa
As eleições gerais paquistanesas foram encerradas nesta segunda-feira sem grandes incidentes violentos durante o período de votação.

O governo colocou em vigor um forte esquema de segurança incluindo cerca de meio milhão de agentes de segurança para garantir o andamento pacífico do pleito.

Além de 80 mil integrantes do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos Rangers, grupos armados que ambém atuam sob o comando das Forças Armadas.

Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado. A apuração teve inicio imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (horário local, 9h de Brasília).

Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito.

No último dia da campanha eleitoral, sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o homem-bomba, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP.

Sem medo

Mesmo com a ameaça de violência rondando este pleito, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para depositar seu voto disseram não se sentir em risco.

"Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege", afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi.

O local de votação exclusivo para homens ficava a apenas alguns metros do posto feminino. Eles entravam de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se têm medo de possíveis atos violentos, todos dizem que não.

"Deus vai nos proteger e nada vai acontecer. Essas eleições são importantes para mudar o país", afirma Abdullah Aviu.

Mas alguns analistas acreditam que um grande número de pessoas deixou de votar por causa do medo da violência e esperam um comparecimento ainda menor do que os 41% que votaram nas ultimas eleições, em 2002.

Bhutto

Posto de votação no Paquistão
Analistas dizem que medo será fator importante, mas quem vota diz não temer

As eleições estavam inicialmente previstas para janeiro, mas foram adiadas depois que a ex-premiê Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro.

A morte de Bhutto foi um dos principais assuntos da campanha, com vários candidatos tentando associar sua imagem à dela.

No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenires. Alto-falantes repetem de tempos em tempos seus discursos. O lugar atrai vários admiradores da ex-primeira-ministra.

Mahmoud Akhram diz que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Bhutto e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião.

"Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite", diz ele.

Mahmoud sorri ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que já depositou seu voto.

"Votei no PPP por Benazir, claro. Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo."

Fraude

Em meio às acusações de que o governo tentaria fraudar o pleito, a maioria das sessões eleitorais teve representantes dos partidos fiscalizando o andamento dos trabalhos.

Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admite que ocorrerá fraude no pleito da segunda-feira.

Qayyum afirma que a gravação, além de falsa, é uma tentativa de desestabilizar o país.

Já o presidente Pervez Musharraf afirma que o governo não vai permitir que a oposição tome as ruas em protesto se houver suspeita de fraude, como alguns partidos ameaçaram.

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