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UE condiciona fim de embargo a carne à inspeção de fazendas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, afirmou nesta quinta-feira que só voltará a permitir qualquer importação de carne do Brasil depois de "analisar as garantias" proporcionadas pelas autoridades brasileiras a respeito das fazendas listadas como aptas para exportar para o bloco. "Com base nessa análise, decidiremos quais fazendas poderemos incluir na lista (de exportadores) e quais teremos que esperar pelos resultados da inspeção do FVO", disse à BBC Brasil a porta-voz da Comissão Européia para Saúde e Proteção ao Consumidor, Nina Papadoulaki. O FVO (Departamento de Alimentação e Veterinária, na sigla em inglês) é responsável pelo controle sanitário na União Européia e deve enviar, no próximo dia 25, uma nova missão para avaliar se as fazendas brasileiras seguem os padrões de qualidade exigidos pelo bloco para a exportação de carne. "Até o momento, no entanto, as autoridades brasileiras não forneceram à comissão relatórios completos das auditorias e inspeções que garantam que essas fazendas (as 2.681 que constam da lista enviada à Bruxelas há uma semana) cumpram todos os requisitos europeus para importação", disse Papadoulaki. O fato de o Brasil ter admitido erro na lista anterior "é um desastre para o país e causará um sério prejuízo a sua credibilidade a nível europeu". Dúvida A falta desses relatórios detalhados foi um dos fatores que levaram o Executivo europeu a duvidar da lista elaborada pelo governo brasileiro, com um número de fazendas oito vezes maior do que o recomendado pelos técnicos do FVO, e decidir pela proibição total das importações. Para a Irish Farmer's Association (Associação de Agricultores da Irlanda), o governo brasileiro "desafiou a decisão da Comissão Européia ao submeter uma lista com mais de 2600 fazendas que não foram auditadas e aprovadas para exportação segundo os padrões europeus". "O Brasil tem que perceber que a UE já não está disposta a aceitar promessas sem valor diante de suas contínuas falhas em alcançar os padrões europeus", disse o presidente da associação, Padraig Walshe. Diante da suspensão das importações, o governo brasileiro se comprometeu então a entregar as informações relativas a cada uma das fazendas listadas até o próximo dia 15. Mas nesta quarta-feira o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, informou que uma nova lista está sendo elaborada e que o número de estabelecimentos considerados aptos para a exportação deve ser reduzido para 683. Kroetz admitiu que a maior parte das fazendas listadas anteriormente não haviam sido auditadas, como desconfiava a Comissão Européia. Para a associação EuBrasil, dedicada a reforçar as relações entre a Europa e o Brasil, o recuo do governo brasileiro deve ser visto como "uma mostra de boa vontade para negociar e encontrar uma solução para o problema". "Esperamos que esse movimento seja seguido por um movimento equivalente por parte das autoridades européias", disse à BBC Brasil o presidente da associação, Luigi Gambardella. "O mais importante agora é retomar as importações do Brasil. Depois, a lista (de fazendas) poderá ser ampliada." "Do ponto de vista técnico, a redução do número de exportadores permitirá às autoridades brasileiras e européias conseguir melhores garantias de qualidade sobre a carne vendida aos consumidores europeus por um preço mais baixo, apesar de que, no momento, não há riscos envolvidos", avalia Gambardella. No entanto, de acordo com o deputado Neil Parish, presidente do comitê de Agricultura do Parlamento Europeu, a apresentação de uma nova lista não vai levar necessariamente a uma revisão da decisão da Comissão Européia. "Mesmo com essa nova lista, a decisão da Comissão não mudará se não houver mais detalhes sobre as fazendas. Acho que a CE deverá inspecionar algumas dessas fazendas (da nova lista) antes de poder revisar a situação da carne brasileira". O Comitê debaterá o tema novamente em uma reunião em março e enviará uma missão para observar o processo de produção da carne brasileira em abril, depois do retorno da missão técnica da FVO. |
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