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Atualizado às: 31 de janeiro, 2008 - 21h11 GMT (19h11 Brasília)
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Grupo europeu articula fim de embargo à carne brasileira

Carne brasileira
Para agência, carne ficará mais barata no mercado doméstico
A associação EuBrasil, que promove o aumento das relações comerciais entre a Europa e o Brasil, enviou nesta quinta-feira uma carta à Comissão Européia, o órgão Executivo da União Européia, pedindo "o rápido retorno à normalidade das importações de carne brasileira" pelo bloco.

No documento, enviado ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, a EuBrasil, que tem base em Bruxelas, argumenta que "os problemas identificados (pelos técnicos europeus) na produção brasileira não representam risco imediato para a saúde humana e animal".

As importações de carne brasileira pela União Européia foram suspensas depois que a Comissão Européia se negou a aceitar a lista de fazendas aprovadas pelo Brasil para vender o produto ao bloco, alegando falta de acordo em torno do número de estabelecimentos listados.

Deputados europeus ouvidos pela BBC Brasil concordam que as importações do Brasil devem ser retomadas rapidamente, mas desde que as dúvidas suscitadas pela Comissão Européia em relação à lista sejam esclarecidas.

"Esperamos que o problema seja resolvido o quanto antes, tendo em consideração a proteção de nossos consumidores", afirmaram em um comunicado conjunto os deputados italianos Vicenzo Lavarra e Gianni Pittella.

"Estamos certos de que o Brasil fornecerá as garantias necessárias exigidas pela União Européia sobre sua carne, cuja qualidade é apreciada no mundo todo", acrescenta a nota.

Pressão

O deputado alemão Friedrich-Wilhelm Graefe zu Baringdorf, vice-presidente do comitê de Agricultura do Parlamento Europeu, afirma que "seguramente há razões políticas e econômicas envolvidas na decisão" de suspender as importações do produto brasileiro.

Membro do mesmo comitê, o deputado português Luis Manuel Capoulas Santos também diz reconhecer a existência de "um lobby muito forte que pretende tirar vantagem própria e tem procurado intervir na questão da carne brasileira".

No entanto, tanto Capoulas Santos como Baringdorf expressaram confiança nas conclusões técnicas da União Européia.

"Se há dúvidas em relação à lista entregue pelo Brasil, isso precisa ser esclarecido", afirmou o deputado alemão à BBC Brasil. "Os importadores devem ter garantias claras de que a carne que compram segue os mesmos padrões de qualidade da que é produzida na Europa."

Por outro lado, o deputado britânico Neil Parish, presidente do comitê, nega qualquer motivação comercial por trás do lobby contra a carne brasileira, do qual é um dos líderes.

"Acredito no comércio livre", afirmou. "O problema é que estamos tratando de comida. Temos que estar 110% seguros de que os critérios de saúde são respeitados."

Apesar de suas posições serem levadas em consideração pelo Executivo, os parlamentares europeus não têm poder de decisão na questão das exportações brasileiras.

'Curto prazo'

A agência de avaliação de risco Fitch prevê que a decisão européia tenha impacto apenas de curto prazo na indústria brasileira de carne bovina, sem afetar de forma significativa as perspectivas de médio e longo prazos.

Para a Fitch, as principais conseqüências serão uma reacomodação do mercado doméstico, com uma provável redução do preço da carne para os consumidores brasileiros e um aumento do consumo graças a um cenário econômico interno favorável.

"O anúncio da União Européia vai provavelmente afetar os preços domésticos da carne in natura à medida que os fabricantes destinam as suas vendas para outras regiões, incluindo o mercado doméstico", disse o diretor da agência para o setor corporativo da América Latina, Revisson Bonfim.

"No entanto, tal redução nos preços domésticos da carne deverá ser acompanhada de uma redução semelhante no preço das vacas, o que, em parte, deverá servir para compensar esse efeito."

A Fitch diz ainda que a decisão da União Européia não pegou a indústria de surpresa, já que os últimos desdobramentos das negociações entre o bloco e o governo brasileiro já apontavam para um possível impasse.

A agência ressalta ainda que cerca de 80% da carne brasileira já é consumida no Brasil e que o eventual crescimento do consumo interno poderá diminuir a importância do mercado europeu.

A União Européia compra atualmente cerca de 10% das exportações brasileiras de carne. A Fitch sugere que o índice é baixo e que o Brasil já vem trabalhando na diversificação de seus mercados.

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