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Atualizado às: 04 de dezembro, 2007 - 13h23 GMT (11h23 Brasília)
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Após relatório, Irã elogia 'confissão nuclear' dos EUA
Presidente Ahmadinejad na usina de Natanz
O presidente Ahmadinejad visitou a usina de Natanz
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, elogiou nesta terça-feira o relatório dos serviços de inteligência americano que conclui que o seu país paralisou seu programa de armas nucleares em 2003.

O relatório divulgado na segunda-feira afirmou que o governo iraniano não está fabricando armas nucleares no momento.

Mottaki disse à rádio estatal iraniana que está se tornando claro para o mundo que o programa nuclear do Irã é pacífico.

O ministro disse que seu governo recebe bem todos os países que corrigiram suas impressões, independentemente de seus motivos.

A televisão estatal do Irã qualificou o relatório como "a confissão nuclear" dos Estados Unidos, e disse que este é uma "vitória" para o Irã. Segundo a emissora, o Irã foi "honesto" e o relatório demonstrou falhas na inteligência americana.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também respondeu positivamente, dizendo que o relatório sustenta sua posição de que não há evidências de um programa de armas nucleares não declarado em lugar algum.

Mas o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, disse que o argumento do Ocidente sempre foi de que o programa de enriquecimento de urânio pode, rapidamente, ser convertido em um programa para a fabricação de armas nucleares, não importando que intenções o Irã tenha no momento.

Mudança de política

Após a divulgação do relatório, o Partido Democrata (oposição) disse que deseja que o governo reveja sua política em relação ao Irã.

O líder do Partido Democrata no Senado, Harry Reid, disse esperar que a Casa Branca dê início a novos esforços diplomáticos para tentar retomar relações com o Irã.

"Espero que esta administração leia o relatório cuidadosamente e ajuste sua retórica e política em relação ao Irã de maneira apropriada", disse Reid.

Os Estados Unidos vinham acusando os iranianos de desenvolver seu programa nuclear com o objetivo de criar armas, mas o governo em Teerã sempre negou isso – argumentando que só busca a tecnologia para fins pacíficos.

Reid acrescentou que o governo do presidente George W. Bush deveria seguir o exemplo do ex-presidente Ronald Reagan, que buscou reatar relações com a União Soviética.

Segundo o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, a atitude dos Democratas é um sinal da importância que o novo relatório poderá vir a ter.

Mas Webb acrescenta que os políticos que defendem uma linha dura contra o Irã estão preocupados, em particular com o fato de que a novidade deste relatório possa vir a ofuscar outros fatos citados no documento, como por exemplo, que Teerã deixa aberta a possibilidade de desenvolver armas nucleares no futuro, e teria a capacidade para fazê-lo se seus líderes assim decidirem.

Um conselheiro próximo ao presidente Bush disse que o relatório é "positivo", mas que o risco de o Irã desenvolver armas nucleares permanece "sério".

Atualmente o Irã sofre sanções do Conselho de Segurança da ONU, que exige o fim do enriquecimento de urânio e, unilateralmente, dos Estados Unidos.

Resumo

O resumo do relatório, divulgado na segunda-feira, indica que é improvável que o Irã tenha urânio enriquecido suficiente para fabricar uma bomba atômica até pelo menos 2010.

O documento, que se baseia em dados coletados por 16 agências de inteligência americanas, indica com “muita confiança” que o Irã paralisou seu programa para desenvolver armamentos atômicos em 2003 “em resposta à pressão internacional”.

O país teria feito “progresso significativo” neste ano na instalação de centrífugas para enriquecer urânio – um processo necessário para produzir o material físsil que é usado em uma bomba atômica.

O texto também diz, com “confiança moderada”, que o Irã “ainda enfrenta problemas técnicos significativos” na operação do equipamento.

Em outro trecho, o relatório indica que o Irã parece “menos determinado” em desenvolver armas nucleares do que muitos nos Estados Unidos pensavam.

O texto diz, com “confiança moderada”, que o programa para desenvolver bombas atômicas suspenso em 2003 não foi retomado desde então.

Nisso, o relatório representa uma reviravolta em relação a outros documentos do tipo, nos quais agências de inteligência americanas alertavam que o Irã estava buscando criar armas nucleares.

Estratégia correta

O conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, disse que as conclusões do relatório confirmam que os Estados Unidos estão certos em ficar preocupados com o Irã e que o presidente George W. Bush adotou “a estratégia correta”.

O analista para assuntos internacionais da BBC Paul Reynolds disse que o documento apresenta uma análise cautelosa das atividades nucleares iranianas e dá poucos argumentos para aqueles que defendem uma ofensiva militar contra o país asiático.

Por outro lado, segundo Reynolds, o relatório deve dar mais força àqueles que querem a adoção de mais sanções contra o Irã, visto que ele dá a entender que esse tipo de pressão funcionou.

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