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Atualizado às: 29 de novembro, 2007 - 23h26 GMT (21h26 Brasília)
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Marcha em Caracas encerra campanha contra reformas de Chávez

Manifestação contra a reforma constitucional proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez
Opositores foram às ruas pedir votos pelo 'Não' no referendo
Dezenas de milhares de manifestantes da oposição venezuelana sairam às ruas nesta quinta-feira para encerrar a campanha eleitoral do “Não” à reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez, que será submetida a referendo no próximo domingo.

Repetindo a tendência das eleições anteriores, a oposição diz que não confia nos resultados que serão divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

“Vamos respeitar os resultados, mas só se o CNE for transparente. Nós sabemos que somos maioria e, se tentarem nos enganar, levaremos o povo às ruas”, discursou o prefeito opositor do município de Baruta, Henrique Capriles Radonski.

Antes mesmo do discurso do prefeito, os manifestantes repetiam a mesma tendência. “O 'Sim' (chavista) vai ganhar domingo outra vez, mas porque vão roubar”, disse à BBC Brasil Mauricio Greco, engenheiro eletrônico, que afirma que não confia no CNE, mas irá às urnas no próximo domingo.

Em 2004, quando Chávez foi submetido a um referendo revogatório do mandato e saiu vitorioso, a oposição se negou a reconhecer os resultados eleitorais alegando fraude. Na ocasião, observadores internacionais da Organização de Estados Americanos e do Centro Carter legitimaram os resultados.

"Plano"

Chávez antecipou nesta quarta-feira que a oposição tem um “plano armado para não reconhecer o triunfo do 'Sim'”.

 Vamos respeitar os resultados, mas só se o CNE for transparente. Nós sabemos que somos maioria e, se tentarem nos enganar, levaremos o povo às ruas.
Henrique Capriles Radonski, prefeito de Baruta, opositor de Hugo Chávez

"Primeiro fizeram umas pesquisas por aí manipulando as cifras para gerar dúvidas, dizendo que estamos perdendo e que eles ganharão. E se eles não ganharem, então é fraude”, disse Chávez, em um ato de campanha no Estado de Mérida.

Na reta final da campanha, as pesquisas de intenção de voto divulgadas não podem precisar a preferência do eleitorado e flutuam desde um empate técnico até uma vitória tanto do “Sim” quanto do “Não”.

A oposição, que até o ínicio desta semana estava dividida entre os que chamavam o povo a votar e os abstencionistas, se uniu em uma tentativa de fazer frente ao governo nas urnas.

“Não” à reeleição

Nesta quinta-feira, a oposição tomou a emblemática Avenida Bolívar, cenário das manifestações do governo, para tentar medir forças com os chavistas, em aberta competição para ver quem consegue mobilizar o maior número de pessoas.

“Estamos aqui para mostrar que somos maioria, por isso viemos ao lugar onde eles (chavistas) se manifestam”, disse à BBC Brasil Patricia Mendoza, acompanhada de seu cachorro poodle. A manifestante admitiu que não conhece os artigos da reforma, mas se opõe à proposta “porque simplesmente não gosto do Chávez”.

 Primeiro fizeram umas pesquisas por aí manipulando as cifras para gerar dúvidas, dizendo que estamos perdendo e que eles ganharão. E se eles não ganharem, então é fraude.
Hugo Chávez, presidente da Venezuela

Durante o percurso, que durou pelo menos três horas de caminhada e sem nenhum incidente, ficou marcada a tendência que vem se repetindo nos últimos nove processos eleitorais na Venezuela: classe média e alta engrossam as fileiras da oposição e os pobres apóiam o governo.

A campanha do referendo popular foi marcada por casos isolados de violência, em especial de enfrentamentos entre estudantes e policiais, e deixou o saldo de uma pessoa morta.

Um emergente movimento estudantil, a Igreja Católica, e partidos políticos de centro e direita assumiram o coro do “Não” à reforma, por considerarem que a alternabilidade na Presidência está sob ameaça e por não compartilharem da proposta de Chávez de instaurar um Estado socialista.

A proposta mais polêmica no projeto de reforma é a que permite ao presidente ser reeleito sem limites de candidaturas, podendo concorrer a eleições imediatamente após o fim do seu mandato.

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