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Estudantes chavistas e opositores tomam as ruas de Caracas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de estudantes venezuelanos voltaram a tomar as ruas de Caracas nesta quarta-feira, na reta final da campanha para o referendo popular que determinará a aprovação ou a rejeição da reforma constitucional proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Apoiadores e opositores dos planos de reforma do presidente realizaram manifestações, no dia em que os venezuelanos comemoram 50 anos do Dia do Estudante, data que ficou marcada quando centenas de estudantes sairam às ruas para enfrentar a ditadura de Marcos Pérez Jímenez. “Hoje podemos sair em total liberdade para defender nossas idéias. Há 50 anos, nos matavam”, disse Hernan Carreño, na manifestação pelo "Sim" à reforma constitucional. O referendo está marcado para o dia 2 de dezembro. Chávez Dezenas de milhares de estudantes que apóiam a reforma marcharam pelas ruas do centro de Caracas e se concentraram em frente ao Palácio de Governo. O presidente Chávez, que chegou à Venezuela nesta quarta-feira depois de uma visita relâmpago a Cuba, no regresso de seu giro pelo Oriente Médio e a Europa, foi recebido pelos estudantes com uma chuva de papel picado vermelho. “Quem não pula é esquálido (de oposição)” gritou Chávez, dando pulos, ao iniciar seu discurso, diante de centenas de milhares de estudantes que pulavam em frente ao Palácio de Governo. “Diante das mentiras da oliguarquia, da manipulação midiática e pró-imperialista que pretende fazer o mundo acreditar que os estudantes estão contra Chávez, aqui está a demonstração de que os estudantes venezuelanos estão com a revolução”, afirmou Chávez. Chávez reiterou que seu projeto de reforma pretende dar “mais poder ao povo” e convocou os estudantes a não descansarem nos 10 dias que restam para o referendo, para mobilizar os eleitores. “No domingo, 2 de dezembro, levantemos cedinho (...). Vamos ao ataque com o “Sim” para dar outra vitória ao socialismo (...). Nos vemos aqui (...) para celebrar outra vitória”, disse. Poder Popular A estudante Lorena Mendoza, aluna da Universidade Bolivariana – instituição criada no atual governo –, disse à BBC Brasil que apóia a reforma constitucional porque se sente “incluída”. “Antes da revolução não tínhamos acesso à universidade, somente os filhos dos ricos podiam estudar. Agora não, todos temos o direito de estudar”, disse Mendoza. A reforma prevê a criação de um Conselho de Estudantes que, assim como outros setores, deverá participar do Poder Popular, que será incluído nas esferas de poderes local e estatal. O manifestante Luiz Hernandez, da Universidade Central da Venezuela, disse acreditar que a reforma é o caminho para “radicalizar” o governo. “Queremos a radicalização da revolução. Falta muito por fazer ainda. Apoiamos a reforma porque queremos socialismo”, disse Hernandez. A proposta mais polêmica do projeto de reforma constitucional, no entanto, é a que estende o mandato presidencial de seis para sete anos e permite o fim do limite de candidaturas à reeleição para presidente. A Constituição vigente prevê apenas uma reeleição direta. Oposição dividida A oposição venezuelana deverá enfrentar o governo debilitada pela divisão.
Os partidos emergentes convocam a população a votar pelo "Não" à reforma. Já os partidos tradicionais apostam na abstenção, inclusive com o chamado à desobediência civil. Do outro lado da cidade, os estudantes que rejeitam a proposta de reforma marcharam portando cartazes com a frase: “Não votar não é o mesmo que votar Não”, antecipando a posição dos estudantes, que foi anunciada em forma de manifesto. “Não votar beneficiará sempre o governo. Votar é um direito e temos que defendê-lo”, diz o manifesto lido durante a concentração. Críticas O Tribunal Supremo de Justiça também foi alvo de criticas, por não haver respondido a solicitação de suspensão do referendo, realizada pelos estudantes há duas semanas. Na concentração da oposição, alguns estudantes se vestiram de vermelho, cor que caracteriza os chavistas. “Defendo a liberdade de expressão. Não quero comunismo. Não à reforma”, afirmou a estudante Maritsa Gomez, que vestia uma camiseta vermelha com o “Não” ao centro. O “Não” foi a campanha utilizada pelo governo no referendo de 2004, quando a oposição pretendia encurtar o mandato de Hugo Chávez. Na ocasião, o governo venceu o referendo com 60% dos votos. Desta vez os papéis se inverteram. No pleito de 2 de dezembro, os chavistas votarão pelo "Sim", e os opositores, pelo "Não". |
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