BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 24 de outubro, 2007 - 10h54 GMT (08h54 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Fragmentação partidária reduz chances da oposição na Argentina

Cartazes de campanha na Argentina
Oposição de esquerda e direita trocou farpas em reta final de campanha
A fragmentação inédita da oposição argentina reduz as chances dos seus candidatos nesta eleição presidencial, cujo primeiro turno será realizado neste domingo.

A avaliação é quase unanimidade entre os principais analistas do país, entre eles, Manuel Mora y Araujo, da consultoria Ipsos-Mora y Araujo, Rosendo Fraga, da Nova Maioria, Hugo Haime, da Haime e Associados e Jorge Giacobbe, da Giacobbe e Associados.

A troca de farpas registrada na reta final da campanha eleitoral, entre os candidatos da esquerda e da direita, que em muitos casos já tinham sido do mesmo partido, exemplifica essa atomização da oposição – independentemente da ideologia seguida.

Esta semana, o ex-presidente Raul Alfonsín (1983-1989), da UCR (União Cívica Radical) acusou a presidenciável Elisa Carrió, agora da Coalizão Cívica, de "traidora" e "hipócrita", porque ela deixou o partido para formar uma frente própria totalmente desvinculada dos princípios da UCR.

Alfonsín apóia o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna.

Lealdade

Se ataques como o de Alfonsín a Carrió marcam divisões na centro-esquerda do cenário político argentino, para a centro-direita ou direita, o entendimento também não está fácil.

A poucos dias das eleições deste domingo, o presidenciável Ricardo López Murphy, da coligação Recrear-PRO, acusou os seguidores do PRO de "falta de lealdade". O PRO é o partido do prefeito eleito de Buenos Aires, Mauricio Macri, presidente do Boca Juniors. Lopez Murphy disse que se decepcionou ao saber que setores de sua própria coligação declararam em diferentes programas de rádio e de televisão que não vão votar nele neste domingo.

Estes episódios não eram comuns na Argentina, onde a fidelidade partidária, como disse o analista Jorge Giacobbe, foi quase uma religião durante muitos anos para a maioria dos eleitores.

Na Argentina, durante mais de 50 anos, recordaram os estudiosos, a política funcionou com um sistema bipartidário, dividido entre a UCR (União Cívica Radical) e o Partido Justicialista (peronismo).

Neste mapa, existiam outros partidos pequenos como o Partido Socialista, de esquerda, e a UCD, de direita. Mas desde a histórica crise política e econômica de 2001, os partidos tradicionais começaram a perder força e a se dividir em pedaços.

"Essa é a primeira vez em mais de cem anos, quando foi criada, que a UCR não tem candidato a presidente", disse Rosendo Fraga. "E que o peronismo não apresenta candidato com a sua tradicional marca, Partido Justicialista". É esse enfraquecimento dos partidos, entende Mora y Araujo, que dificulta a sobrevida das candidaturas, cada vez mais "personalizadas" e menos "partidárias". Um fato inédito para os argentinos.

Alternativas

Na reta final da campanha, muitos eleitores tendem a mudar de voto, como afirmou Hugo Haime, na tentativa de fortalecer alguma alternativa à candidata do governo do presidente Néstor Kirchner, a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, líder nas pesquisas de opinião.

Essa alternativa, concordam os especialistas, parece ser Elisa Carrió, que aparece em segundo lugar nos diferentes levantamentos de opinião. "Muitos eleitores da classe média vão votar em Carrió só para mandar um recado a Cristina, só para dizer: 'Olha, você será eleita, mas não estamos com você'", resumiu Haime.

Por isso, na reta final da campanha, Carrió passou a pedir o voto dos mais pobres – principais simpatizantes de Cristina. "Confiem numa vida melhor", disse em diferentes entrevistas.

Nas ruas de Buenos Aires, um cartaz com seu rosto, afirma: "Vamos ao segundo turno. Venha você também". A meta de Carrió é disputar o segundo turno com Cristina.

Mas para os diferentes analistas, como Mora y Araujo, ela não transmite, como revelam as pesquisas, a "confiança" necessária para chegar a conquistar a vitória das urnas.

Para Hugo Haime, além da fragmentação e da troca de farpas, a oposição peca com mensagens "erradas". Segundo ele, Carrió, Roberto Lavagna, da UNA (Uma Nação Avançada) e López Murphy preferem alertar para os problemas da Argentina hoje –"inflação", por exemplo – do que oferecer alternativas positivas ao atual modelo.

Néstor e Cristina KirchnerEleições argentinas
Liderança de Cristina 'reflete opção por continuidade'.
Cristina Fernández de Kirchner Argentina
Cristina explora fim de dependência do FMI na campanha.
Hilary Clinton e Cristina KirchnerHillary latina?
Cristina tem mais da mulher de Clinton do que de Evita Perón.
Cartazes de propaganda da candidata presidencial Cristina Fernández de Kirchner na ArgentinaArgentina
Pesquisa: 73% do eleitorado 'não se interessa' por eleição.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Argentinos leiloam votos pela internet
17 outubro, 2007 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade