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Atualizado às: 19 de julho, 2007 - 05h45 GMT (02h45 Brasília)
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Associação internacional pede reforma em Congonhas

Acidente aéreo em Congonhas
Ifalpa pede que aeroportos tenham áreas de escape mais extensas
Após o acidente com o Airbus A-320 da TAM, a Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (Ifalpa, na sigla em inglês) divulgou um pedido às autoridades do setor aéreo para que o aeroporto de Congonhas e todos os outros em operação no mundo tenham áreas de escape mais extensas no fim das pistas de pouso.

"O trágico acidente no aeroporto de Congonhas demonstra mais uma vez a necessidade de implementação de um sistema de segurança conhecido como Engineered Materials Arrester System (EMAS) nos aeroportos", diz uma nota da Ifalpa.

Segundo a federação, que representa cerca de 100 mil pilotos em mais de 95 países, a área de escape deveria ter 300 metros de extensão.

"Claramente isso iria aumentar significativamente a segurança de passageiros e tripulantes", afirma a nota.

"O que aconteceu em Congonhas foi o que nós chamamos de 'runway excursion'. É a causa mais comum de acidentes aéreos. Um quarto dos acidentes no mundo são resultado de aviões ultrapassando o limite da pista. A Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês) recomenda que aeroportos devem ter 60 metros de asfalto e ainda 240 metros de área livre em torno da pista", disse à BBC Brasil o diretor executivo da Ifalpa, Bruce D'Ancey.

"Quando isso não é possível, recomendamos a instalação de uma 'arrestor bed', uma área feita de concreto mole em torno da pista. Ela tem a aparência de concreto normal. Mas se o avião sair da pista ele vai afundar no concreto", disse D'Ancey.

No caso do vôo da TAM, depois de pousar em Congonhas a aeronave derrapou, atravessou uma avenida, colidiu com um depósito e pegou fogo. Todos os 186 passageiros e tripulantes a bordo e um número ainda não oficial de pessoas que estavam no prédio e nas imediações morreram no desastre.

De acordo com D´Ancey, acidentes desse tipo, nos quais o avião sai da pista, não são um problema exclusivo de Congonhas e acontecem em média uma vez por semana no mundo. Só na semana passada, foram quatro.

"Temos feito campanha sobre o assunto há 20 anos. O que é importante dizer é que o trágico acidente em São Paulo poderia ter sido evitado se houvesse um sistema para frear o avião em segurança. Saídas da pista acontecem regularmente", afirmou.

Áreas urbanas

Segundo Les Dorr, porta-voz da Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês), “é possível que um aeroporto no meio de uma cidade seja seguro”, e a instalação desse sistema de segurança (de concreto mole no final da pista) é uma “excelente solução para aeroportos com limites de área".

Dezenove aeroportos americanos já usam a tecnologia e mais sete estão em processo de implementação. De acordo com a FAA, o sistema evitou quatro acidentes: em 1999, 2003 e 2005 no JFK, em Nova York, e no ano passado no Greenville Downtown Airport, na Carolina do Sul.

Para o especialista em segurança de aviação Todd Curtis, fundador do site airsafe.com, apesar de o sistema ser “efetivo”, há possíveis falhas.

“Há limitações. Geralmente o sistema é colocado no final da pista, mas há casos em que o avião sai de lado e não no final. Além disso, parece ser mais adequado apenas para áreas planas.”

Segundo Curtis, nos Estados Unidos existem dois aeroportos que, assim como Congonhas, também ficam no meio da cidade: Midway, em Chicago, e Bob Hope, nas proximidades de Los Angeles.

Em dezembro de 2005, em Midway, um avião saiu da pista, entrou em uma avenida e matou uma criança. No Bob Hope Airport, uma aeronave saiu da pista e parou em frente a um posto de gasolina.

“Isso não significa que aeroportos no meio de áreas urbanas devam ser fechados”, disse Curtis.

“Existem riscos, mas é preciso analisar os benefícios à sociedade. Aeroportos como esses tornam o transporte aéreo mais viável e centenas de pessoas são empregadas.”

Segundo Eduardo Flores, secretário do Conselho Internacional de Aeroportos (AIC, em inglês), associação que agrupa aeroportos comerciais de 178 países, não existe nenhuma recomendação internacional contra a existência de aeroportos em áreas urbanas.

“Há muitos aeroportos no meio de grandes cidades em todo o mundo. Contanto que as normas internacionais sejam seguidas, não há problema algum.”

Essas normas incluem o planejamento de uma faixa de segurança para onde o avião possa desviar em caso de imprevistos e uma distância mínima de construções.

Flores desconhece se o aeroporto de Congonhas cumpre todas as normas. Mas, segundo ele, “se não cumprisse, não poderia ter a certificaçao (para poder operar)”.

* Colaboraram Adriana Stock e Márcia Bizzotto

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