|
Hezbollah usa estradas clandestinas 'para se rearmar' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Estradas clandestinas, abertas e pavimentadas no Líbano pelo Hezbollah, têm sido usadas para transporte de armas, segundo uma fonte próxima ao grupo xiita. A BBC Brasil teve acesso a uma dessas estradas, localizada em um vale por onde passa o Rio Litani, perto da cidade de Talloussa, no sul do Líbano. O comando da Unifil (a força de paz da ONU no sul do Líbano) diz desconhecer a existência dessas estradas e afirma ter autonomia para patrulhar todas as estradas da região. Mas pessoas próximas ao Hezbollah afirmam que as tropas da ONU não têm acesso às novas estradas. Um ano depois do início da guerra de 34 dias entre Israel e o Hezbollah, em 12 de julho de 2006, pouco mudou na região. O Hezbollah continua se rearmando, aparentemente usando estradas locais para o transporte ilegal de armamento. Outros novos trajetos estão sendo construídos com o provável objetivo de alimentar o braço militar do grupo xiita. De acordo com fontes do Hezbollah e do governo, o grupo xiita teria, antes da guerra, em torno de 10 mil mísseis e foguetes. Agora, esse número já estaria entre 20 mil e 30 mil. A reportagem da BBC Brasil acompanhou o comerciante brasileiro Abbas Tormuz por uma estrada empoeirada que corta um vale rochoso. Tormuz sorri quando perguntado sobre a estrada. “Nem adianta procurar no mapa, ela não existe.” A estrada está em obras, e pode-se ler, claramente, o nome da construtora mantida pelo Hezbollah. A empresa pavimenta a estrada, que passa por pequenas cidades onde bandeiras amarelas da milícia xiita decoram cada poste de luz ou casa. Tormuz já foi deputado no Parlamento libanês de 1996 a 2000. Ele também tem cidadania paraguaia (morou muitos anos em Cuidad del Leste, no Paraguai). Hoje Tormuz é líder da região de Talloussa, responsável por 15 cidades da área, inclusive Et Taibeh, onde há duas semanas foguetes Katiusha foram disparados contra Israel por um grupo ainda desconhecido. Após uma longa viagem, em que não foi permitido visualizar o trajeto, a paisagem muda. Uma nova estrada, desta vez pavimentada, passa por colinas cobertas de árvores e uma ponte atravessa o famoso Rio Litani. “Aqui, durante a guerra do ano passado, 40 tanques israelenses foram emboscados e destruídos”, disse Tormuz. O conflito, que teve início após o grupo xiita atacar uma patrulha israelense e capturar dois soldados na fronteira, matou mais de 1,2 mil libaneses (a maioria civis) e 157 israelenses (a maioria militares). Israel não passou por este vale à toa. “Nestas colinas estão escondidas parte das armas da ‘resistência’. O erro dos israelenses foi achar que com ataques aéreos eles destruiriam tudo.” Rede de túneis Segundo Tormuz, há uma extensa rede de túneis nas colinas, e membros do Hezbollah montam posição na colina para ‘observar’ os intrusos. Logo, dois jovens em uma motocicleta chegaram para conversar portando walkie-talkies. Tormuz explicou quem era ele e que tinha autorização para estar ali. Os jovens, aparentando cerca de 20 anos, deixaram o local após consultar alguém pelos rádios. Não aceitaram falar, mas Tormuz explicou que estavam nos observando de longe, de dentro da floresta. “Todo mundo sabe que estas estradas existem, isso não é segredo. O Exército libanês, a Unifil e até Israel sabem o que há aqui e que são usadas para transportar armas para a resistência. Mas ninguém se atreve a entrar nestas estradas.” Questionado pela BBC Brasil sobre a existência das rotas, o tenente-coronel Carlos Ruiz de La Sierra, porta-voz das tropas espanholas da Unifil, responsáveis pelas região de Talloussa, onde estão localizadas as estradas, disse desconhecer a existência de tais estradas. "A Unifil e o Exército libanês têm total autonomia para patrulhas todas as estradas na região em que atuamos. Desconheço a existência de qualquer estrada fora de nosso controle", disse o porta-voz. Numa parte da estrada havia blocos de concreto nas extremidades. Segundo Tormuz, eles servem para manter os blindados da Unifil e dos militares libaneses longe, permitindo somente o tráfego de pequenos carros, já que a estrada leva também a outras cidades da região, e o Hezbollah permite que os carros civis usem o atalho. Em Talloussa, uma bonita cidade no alto de um morro, cuja vista estratégica já abrigou postos militares israelenses durante os 22 anos de ocupação do sul do Líbano, jovens olhavam com um misto de desconfiança e curiosidade. Na casa de Tormuz um visitante, sabendo que ele vinha de Beirute, o esperava. O homem, alto e de aparência intimidadora, era um líder local do Hezbollah. Entretanto, sentiu-se desconfortável tão logo percebeu a presença de um estranho. Não demorou e ele atendeu a uma chamada no celular. “O partido ligou para saber quem eu trouxe à cidade. Mas eu não devo satisfações”, disse Tormuz. Talloussa é uma cidade dividida entre o Movimento Amal e o Hezbollah. Apesar de ambos serem xiitas e aliados, há uma pequena rivalidade entre os dois grupos. O homem, que apenas se identificou como Abu Ali, explicou que há muita desconfiança quando estranhos são vistos. Sobre as rotas secretas usadas para transportar armas, ele disse que não poderia falar. Em seguida, sorriu e negou a existência das estradas. O integrante do Hezbollah admitiu, no entanto, que a Unifil não consegue patrulhar "certos locais" da região. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Chanceler de Israel pede renúncia de primeiro-ministro02 de maio, 2007 | Notícias Presidente do partido de Olmert pede sua renúncia02 de maio, 2007 | Notícias Ministro de Israel renuncia por causa de guerra no Líbano01 de maio, 2007 | Notícias Comitê aponta 'graves falhas' de premiê de Israel no Líbano30 de abril, 2007 | Notícias Israel teria violado acordo para uso de bombas, dizem EUA29 de janeiro, 2007 | Notícias Metade dos brasileiros retirados do Líbano já voltou26 janeiro, 2007 | BBC Report Líbano arrecada US$ 7,6 bi para reconstrução do país25 de janeiro, 2007 | Notícias Chefe militar de Israel renuncia devido à guerra no Líbano17 de janeiro, 2007 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||