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Atualizado às: 17 de agosto, 2006 - 22h00 GMT (19h00 Brasília)
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Moradores sentem tristeza e orgulho no sul do Líbano

Comerciante libanês
Kourani perdeu sua casa e sua loja, mas se diz orgulhoso
Os moradores que voltaram para as áreas do sul do Líbano encaram agora com tristeza e orgulho a destruição causada por mais de um mês de invasão israelense na região.

Tristeza, porque muitos perderam tudo; mas orgulho, porque acreditam que ganharam uma guerra.

O apoio ao grupo xiita Hezbollah é tradicionalmente muito grande na região. A guerra solidificou ainda mais essa aliança.

A assistência que o Hezbollah dá às famílias atingidas ajuda a explicar o porquê dessa aliança.

Todos que perderam suas casas vão receber dinheiro – cerca de US$ 20 mil – para que possam alugar um lugar para morar por um ano, enquanto é feita a reconstrução.

“Eu tinha uma casa com dois andares e uma loja de material de construção. Agora está tudo no chão, mas eu não ligo”, diz o comerciante Nassum Kourany – cidadão libanês e brasileiro da cidade de Ater – enquanto olha para um monte de escombros.

“Não ligo porque, como disse nosso líder (Hassan Nasrallah), a vitória é nossa. Nós temos o nosso orgulho, e ninguém faz com nossa terra o que fizeram com o Afeganistão e com o Iraque”, diz.

Mas a expressão grave e a voz triste traem Kourani, mostrando que ele “liga” sim.

Como um partidário ferrenho do Hezbollah, ele pode acreditar que tudo valeu a pena e encontrar consolo também na expectativa de que o grupo xiita vá ajudar a população da área. Mas ainda assim, sua casa e sua empresa é que estão no chão.

Kourani rejeita com veemência a sugestão – sempre presente nos panfletos lançados por Israel para avisar de bombardeios iminentes – de que toda a destruição é culpa de Hassan Nasrallah porque o Hezbollah provocou o conflito ao capturar dois soldados israelenses.

 O Hezbollah é o povo, e o povo é o Hezbollah
Zeida Kourani, moradora do sul do Líbano

“Israel está sempre tentando colocar culpa nos outros, porque eles precisam de uma desculpa para atacar o mundo”, repetindo uma idéia agora bastante corrente aqui no Líbano, assim como no mundo árabe em geral.

Militante

O Hezbollah é um organização muito bem estabelecida entre os xiitas, não só como um grupo armado, mas também como partido político, instituição assistencial, centro de resolução de disputas e outras funções que o Estado não consegue ou não quer assumir.

“Quando as pessoas aqui precisam de alguma coisa, elas pedem ao Hezbollah. E eles não falham. Ajudam sempre”, conta Zeina Kourani, tia de Ibrahim Saleh, o militante brasileiro do grupo xiita que morreu em combate com Israel neste conflito.

“Eles estavam mesmo disparando foguetes aqui de perto da nossa casa e sabíamos do risco de Israel acabar bombardeando. Mas não tem problema, porque o Hezbollah é o povo, e o povo é o Hezbollah”, diz ela, que ficou durante todo o conflito na cidade de Haush, ao lado de Tiro, uma das área mais duramente atacadas por Israel.

Ela foi uma das poucas moradoras que permaneceram no prédio durante os ataques e, ao contrário dos outros, não se escondia no porão do edifício quando as bombas começavam a cair. Mas não era exatamente coragem.

“Se for para morrer prefiro que a bomba caia aqui e eu morra logo. Não posso nem pensar na idéia de estar lá em baixo, num porão, com as bombas caindo em volta, e acabar morrendo soterrada”, diz.

Sobrenome Nasrallah

Zeina Kourani é divorciada e está com os filhos Abbas, de 19 anos, e Nader, de sete. Os dois trazem também o sobrenome do pai: Nasrallah.

Mas nenhuma relação de família com o líder do Hezbollah. Nasrallah significa “vitória divina” e é um sobrenome comum no Líbano.

“Mas no consulado americano me negaram visto quatro vezes para ir estudar nos Estados Unidos, embora minha documentação estivesse toda em ordem. Acho mesmo que o problema é o meu nome”, diz Abbas que estuda administração de empresas na Notre Dame University, uma universidade cristã americana com campus no Líbano.

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