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Atualizado às: 15 de agosto, 2006 - 10h54 GMT (07h54 Brasília)
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Retorno de refugiados amplia crise humana no Líbano
Congestionamento provocado por refugiados retornando a suas casas perto de Beirute
Retorno de refugiados deixou estradas congestionadas
O diretor-geral da Cruz Vermelha Internacional, Jakob Kellenberger, advertiu nesta terça-feira que o retorno em massa da população libanesa ao sul do país por conta do cessar-fogo iniciado no dia anterior deve renovar a pressão pelo trabalho humanitário na região.

Kellenberger disse que a rapidez com que os refugiados começaram a retornar ao sul do Líbano surpreendeu as agências humanitárias e advertiu que o Exército israelense e o Hezbollah têm um dever diante da comunidade internacional de proteger os civis.

“A situação na região permanece extremamente difícil, apesar desses avanços positivos”, disse Kellenberger, acrescentando que os civis estão novamente pagando o preço do conflito.

Cerca de 10 mil refugiados retornaram ao Líbano da Síria nas primeiras oito horas de trégua, iniciada às 2h de Brasília na segunda-feira, segundo uma estimativa das autoridades sírias citada pela agência da ONU para refugiados (Acnur).

“Temos pessoas que começaram a viagem de volta antes mesmo do cessar-fogo, para serem os primeiros a atravessar a fronteira quando ele começasse. Há gente que deixou Damasco ao amanhecer para atravessar”, disse Jack Redden, porta-voz da Acnur na fronteira entre o Líbano e a Síria.

Porém Redden diz que a maioria dos 180 mil libaneses que buscaram refúgio na Síria devem esperar para ver se o cessar-fogo funcionará antes de enfrentar o caos provocado pelos congestionamentos nas estradas parcialmente destruídas pelos bombardeios.

Estradas e pontes destruídas

O início da trégua não eliminou a urgência do trabalho humanitário, segundo Kellenberger, da Cruz Vermelha.

Durante uma visita ao Líbano, ele teve que chegar à pé à cidade de Tiro, no sul do país, porque as estradas e as pontes de acesso haviam sido destruídas.

“Nunca é demais repetir – a população civil precisa ser respeitada”, disse ele. “Todas as regras aplicáveis à proteção da população civil permanecem extremamente importantes e é muito importante insistir no respeito a essas regras.”

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A Cruz Vermelha diz pretender dar assistência a 200 mil desabrigados no Líbano ao menos até o final do ano, além de prover água e saneamento para até 1 milhão de pessoas.

Kellenberger também disse ter pedido ao Hezbollah autorização para visitar os dois soldados israelenses cuja captura pelo grupo deu início ao conflito. A resposta até agora seria negativa.

Os funcionários das Nações Unidas dizem que com o cessar-fogo em vigência, eles não terão mais que passar pelo que descrevem como um longo e complicado processo para obter garantias de Israel para entregar ajuda humanitária.

Áreas inacessíveis

David Shearer, coordenador da ONU no Líbano, disse que não deveria mais haver áreas às quais não se pode ir no país.

“Estamos lançando um grande esforço de ajuda para levar suprimentos, equipamentos e as coisas que são necessárias para ajudar essas pessoas que estão indo para o sul”, disse ele.

Shearer diz que grupos de ajuda humanitária reclamam que a proibição israelense para o tráfico nas estradas no sul do país está prejudicando os esforços para levar ajuda à região.

Segundo ele, o trânsito no sul do Líbano permanecerá perigoso por algum tempo por conta de munições e bombas de fragmentação não explodidas.

Segundo a agência de notícias France Presse, dois civis foram mortos em locais separados no sul do Líbano na segunda-feira por bombas de fragmentação que explodiram quando eles as tocaram.

O Programa de Alimentação da ONU enviou dois comboios à cidade de Tiro, e a Cruz Vermelha está distribuindo suprimentos levados a Tiro por navio.

Apesar de a distribuição de suprimentos ainda ser lenta, os agentes de ajuda humanitária conseguiram pela primeira vez chegar a muitos vilarejos na fronteira com Israel.

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