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Atualizado às: 07 de junho, 2007 - 12h20 GMT (09h20 Brasília)
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Ocupação ainda impede acordo entre Israel e países árabes

Os presidentes do Egito, Anuar Sadat (à esquerda), dos EUA, Jimmy Carter (centro), e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, na assinatura do acordo de paz entre Egito e Israel em 1979
Sadat (à esquerda na foto, com Jimmy Carter e Menachem Begin) assinou acordo de paz em 1979
Mesmo após acordos de paz com Egito e Jordânia, Israel continua sem relações diplomáticas com a maior parte dos países árabes, 40 anos depois da Guerra dos Seis Dias.

Em março deste ano, a Arábia Saudita apresentou a mais recente proposta árabe de normalização das relações com Israel, que inclui o princípio da resolução 242 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de troca de territórios por paz.

Segundo o plano, apresentado pela primeira vez em 2002, os países árabes normalizariam as relações com Israel em troca da retirada israelense de todos os territórios ocupados na guerra de 1967, da criação de um Estado palestino e de uma "solução justa" para os refugiados palestinos.

A resolução 242 foi a primeira tentativa de resolver a tensão entre Israel e os países árabes, cinco meses após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em 1979, o Egito resolveu adotar o princípio, tornando-se o primeiro país do Oriente Médio a reconhecer Israel em troca da devolução da Península do Sinai, capturada pelo Exército israelense em 1967.

Na opinião do diretor do Centro de Pesquisas e Informação Israel/Palestina, Gershon Baskin, o presidente egípcio na época, Anuar Sadat, considerava importante se relacionar com o mundo ocidental e os Estados Unidos e acreditava que a porta de entrada era normalizar as relações com Israel.

"Sadat concluiu que não tinha mais opções militares e que a única forma de o país obter suas terras de volta seria reconhecer a existência de Israel."

O diretor do Departamento de Estudos do Oriente Médio da Universidade Americana do Cairo, Joel Beinin, ressalta no entanto que Sadat não obteve tudo o que desejava com o acordo de paz.

"Sadat esperava que o acordo abriria a possibilidade de começar um acordo mais abrangente, que incluiria os palestinos, mas acho que do lado israelense nunca houve intenção de fazer isso. A conseqüência foi que o Egito ficou isolado no mundo árabe por causa do acordo."

O presidente egípcio acabou assassinado, em 1981, por fundamentalistas islâmicos contrários à sua política de aproximação com Israel.

Rejeição do povo árabe

Mais de uma década depois, em 1994, a Jordânia resolveu seguir os passos do Egito e passou a ser o segundo país a assinar um acordo de paz com Israel.

Porém, diferentemente do Egito, o rei Hussein, da Jordânia, não recebeu territórios de Israel porque havia aberto mão da Cisjordânia em 1988, declarando a Organização Pela Libertação da Palestina (OLP) "o único representante do povo palestino".

"Foi um dos poucos acordos de paz da história contemporânea firmados sem a necessidade de tropas de paz nas fronteiras, com toda segurança feita bilateralmente, porque existia um grau de confiança muito grande entre os dois lados", explica Baskin.

Mas o escritor e analista político egípcio Abdel Wahab el-Mesiri ressalta que a assinatura dos acordos de paz de Egito e Jordânia com Israel não quer dizer que a população dos dois países concorda com eles.

"Os acordos foram assinados pelas elites dominantes, e as massas não reconhecem Israel. É ingênuo por parte de Israel firmar acordos de paz com elites totalitárias quando é rejeitado pela maioria das pessoas."

O ex-secretário da Liga Árabe Ismat Abdul-Maguid diz que a principal questão não-resolvida entre Egito e Jordânia, de um lado, e Israel, do outro, é a relação entre israelenses e palestinos.

"A forma como eles tratam os palestinos é inaceitável. Se os israelenses têm direitos, os palestinos também precisam ter e este é o caminho para se estabelecer uma situação pacífica e normal nesta parte do mundo", afirma Maguid.

O analista político Danny Rubinstein, do jornal israelense Haaretz, concorda que a normalização das relações entre Israel e os países árabes depende do fim do conflito entre palestinos e isralenses.

"Tenho certeza de que quando o problema palestino estiver resolvido, quando os palestinos reconhecerem Israel, todos os países árabes vão entrar em um acordo conosco", diz Rubinstein.

Pessimismo

Rubinstein diz que todos os planos de paz apresentados após 1967 eram parecidos com este e não vê outra solução para o conflito.

Baskin não se mostra muito otimista em relação a um desfecho diferente para este plano, apesar de considerar a proposta árabe a melhor feita a Israel em bastante tempo.

"O problema é que o plano está sendo mal-interpretado pela população israelense, pela mídia e certamente por um grande número de líderes de Israel, que o consideram um documento que se deve pegar ou largar. E a Liga Árabe não foi bem-sucedida em esclarecer isto a Israel", diz Baskin.

Segundo Baskin, a opinião pública israelense acredita que a proposta exige direito total de retorno a todos os refugiados palestinos e que isto provocaria uma "enxurrada de palestinos em Israel" e "acabaria com a natureza judaica do país".

"Acho que os países árabes têm de dizer claramente que estão querendo negociar com base nesta iniciativa de paz, isto seria um avanço", diz Baskin.

Porém, para El-Mesiri, Israel tem de negociar diretamente com os palestinos. "Os países árabes podem até mediar as conversas, mas os problemas têm de ser resolvidos entre os dois lados."

Beinin não acredita que o governo israelense está preparado para avançar na questão, "nem o governo americano está preparado para pressionar Israel a fazer isto".

"Israel precisa admitir que existe sobre as ruínas do povo palestino. Isso não quer dizer que todos os judeus tenham de ser atirados ao mar e que todos os refugiados palestinos devem retornar a Israel. Significa que Israel tem de ter uma responsabilidade moral pela situação e negociar com base no fato que os palestinos têm direitos", diz o professor.

Baskin concorda e diz que, se a Guerra dos Seis Dias foi uma das maiores vitórias de Israel do ponto de vista militar, "em todos os outros sentidos ela foi uma derrota".

"Foi uma derrota de tudo que Israel deveria ser, gostaria de ser e trabalhou para ser. A ocupação contínua é o maior perigo para a sobrevivência contínua do Estado de Israel."

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