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Israelenses desafiam violência para ficar em assentamentos; assista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cerca de 400 mil israelenses enfrentam a ameaça diária de violência vivendo em assentamentos fortemente protegidos, situados em território palestinos - um dos legados da Guerra dos Seis Dias, que completa 40 anos nesta semana. Os assentamentos, considerados ilegais por leis internacionais, estão cravados em um território habitado também por 2,5 milhões de palestinos. Para reforçar a segurança, todos os locais são fortemente policiados e protegidos. Cada assentamento parece um condomínio fechado, de classe média alta, com guarita e cancela na entrada. As escolas também são completamente cercadas por grades, com arame farpado no topo, e têm portões automáticos que são abertos apenas para pessoas conhecidas. Ocupar e povoar Logo após a conquista de territórios na Guerra dos Seis Dias, há 40 anos, o governo israelense iniciou ações para povoar as novas áreas com judeus. De 1967 até hoje foram criados cerca de 140 assentamentos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e as construções de outros continuam. Há quase dois anos, Israel retirou todos os 21 assentamentos judaicos da Faixa de Gaza, além de quatro da Cisjordânia, mas o território, incluindo Jerusalém Oriental, ainda abriga cerca de 120 assentamentos, onde vivem aproximadamente 400 mil israelenses. Apesar das medidas de segurança, a maioria dos moradores conhece alguém que já foi vítima de violência na região. Esti Ohana, de 32 anos, mora em Nokdim, um dos 18 assentamentos de Gush Etzion, a cerca de 20 km de Jerusalém, onde vivem cerca de 50 mil pessoas. Ela diz ter perdido a melhor amiga há cinco anos e meio, vítima de um atentado na estrada: "Três pessoas do meu assentamento já foram mortas quando voltavam do trabalho para a casa. A minha melhor amiga estava com o marido e três crianças no carro quando foi atacada e morta". Os ataques palestinos são uma reação ao que eles consideram uma invasão de seu território. Israel se protege com dezenas de barreiras policiais, estradas para uso exclusivo de israelenses, além de uma polêmica barreira - em alguns locais de concreto e em outros de arame farpado - que passa em meio à região. Muitos judeus se mudaram para a Cisjordânia por acreditar que era ali que viviam seus antepassados. Outros, como Ohana, optaram por um lugar mais tranqüilo do que a cidade, onde tivessem uma qualidade de vida melhor. "Eu não me mudei por ideologia. Eu queria sair da cidade para um lugar onde eu tivesse condições de pagar uma casa grande com jardim, onde as minhas crianças tivessem lugar para brincar livremente", explica Ohana, que tem quatro filhos. Seu bebê recém-nascido tinha acabado de ser vacinado em uma clínica pediátrica no assentamento vizinho de Efrat, que ela diz ser "de excelente qualidade". Todos os assentamentos têm escola e clínica médica, com funcionários fornecidos pelo governo israelense. "Israel completo" A brasileira Regina Cicurelli deixou o Brasil aos 19 anos de idade, quatro meses após a Guerra dos Seis Dias, e se mudou para um assentamento porque sentiu "no sangue a vontade de ir para Israel e me doar de alguma maneira ao país". "Eu sei que aqui é a minha casa e que sou importante aqui. Cada minuto que eu vivo aqui tem importância, no Brasil não", diz Regina. Ela mora em uma casa com jardim com o marido, que é agricultor e tem outro terreno a poucos quilômetros dali com uma plantação de cerejas orgânicas. Assim como muitos israelenses religiosos, Regina acredita que a Cisjordânia e Jerusalém Oriental pertencem a Israel e que, portanto, ela tem o direito de morar no território. "Penso que por Deus esta terra pertence aos judeus. Nós somos a favor de Israel completo. O mapa original de Israel é muito maior, inclusive, do que o território que nós temos hoje, porque demos de volta muitas terras." Os árabes rejeitam esta idéia e querem que um futuro Estado palestino seja criado na região da Cisjordânia e que Jerusalém Oriental seja sua capital. Regina discorda que os palestinos tenham direito de voltar à terra onde ela mora hoje: "Direito de voltar para cá? Voltar para onde? Se houver um país chamado Palestina ao nosso lado, Deus queira que os dois países se respeitem. Mas não vai ser assim, porque eles têm todos os meios de nos destruir e não vai ter outro jeito, um vai ter de destruir o outro", afirma Regina. "Nós falamos sobre paz e eles falam sobre guerra. A paz para eles é dizer assim: 'Vamos fazer paz, vou ser seu amigo. Mas então me paga para fazer a paz'. Nós não temos que pagar nada, já pagamos muito." Regina diz que prefere morrer a deixar sua casa e o terreno que abriga a plantação de cerejas, onde ela e o marido pretendem construir outra casa. |
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