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Jerusalém é centro de disputas por terras há 40 anos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O status de Jerusalém continua sendo um dos maiores entraves para um acordo de paz entre israelenses e palestinos. Quarenta anos depois de ocupar a área oriental da cidade, onde está a Cidade Velha, Israel realiza várias ações que tornam uma eventual partilha da cidade cada vez mais difícil. Em uma colina com vista para a Cidade Velha, trabalhos de construção estão em andamento para finalizar ainda neste ano o complexo de Nof Zion (Vista de Zion), que prevê a construção de 395 apartamentos, clube, shopping center, sinagoga e hotel de luxo. Vários outros canteiros de obras iniciadas por Israel, como o de Nof Zion, podem ser vistos em território ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Uma das negociações de paz mais promissoras do conflito, em 2000, fracassou, entre outras razões, porque os negociadores não conseguiram encontrar uma fórmula que satisfizesse as reivindicações de judeus e muçulmanos sobre os locais religiosos de Jerusalém. Apesar de Israel ter anexado a área, a comunidade internacional não reconhece Jerusalém Oriental como sendo parte do país e considera a região território ocupado. Os palestinos querem ver Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino. Mas Israel considera a área parte de sua atual capital e deixa claro que não pretende abrir mão dela. Líderes moderados palestinos e parte da socieade israelense ainda sonham com uma solução negociada, em que Jerusalém seria a capital de dois Estados, Israel e Palestina. "Presença judaica" Grupos palestinos, como o Passia (Palestinian Academic Society for the Study of International Affairs), acusam Israel de permitir que parte dos novos assentamentos seja construída sobre território confiscado ilegalmente dos árabes. "Os donos das terras apelaram à Justiça contra as ações da Prefeitura de Jerusalém Ocidental mas, como já era previsto, o tribunal emitiu sua decisão a favor dela", afirma o presidente do Passia, Mahdi Abdul Hadi. "Além disso, enquanto palestinos não conseguem autorização para expandir suas casas, estas empresas de construção as obtêm com facilidade." O Nof Zion está sendo construído nas proximidades do bairro palestino de Jabel Mukaber e é, segundo Hadi, "uma conexão clara de uma rede de assentamentos que estão sendo construídos em áreas árabes para quebrar a continuidade árabe e estabelecer o domínio israelense sobre Jerusalém Oriental". A Prefeitura de Jerusalém foi procurada pela BBC Brasil, mas sua assessoria de imprensa afirmou que não havia ninguém disponível para dar entrevista. Porém, em entrevistas concedidas a outros veículos de imprensa anteriormente, o prefeito Uri Lupolianski, judeu ortodoxo, defendeu o "fortalecimento da presença judaica na cidade". Compra de casas Alguns bairros palestinos são alvo de outro tipo de ocupação, como a região de Silwan, localizada na ponta sudeste da Cidade Velha. Em meio a prédios e casas humildes de palestinos, podem ser vistas algumas construções mais novas, todas com bandeiras israelenses hasteadas nos telhados ou nas janelas. Uma destas casas tem uma bandeira de cerca de 15 metros pendurada ao longo de toda a fachada, e o preço de se morar em meio à comunidade palestina é visível: grades nas janelas, câmeras de vigilânica e segurança particular na porta. "As crianças judias são acompanhadas de guardas armados para a escola, o que assusta as crianças palestinas, semeando o medo nelas" diz Said, de 12 anos, acrescentando que muitas vezes cães bravos são soltos na rua, o que impede que os menores brinquem fora de casa. "É realmente um desrespeito. Por que eles nos desrespeitam? Nós somos humanos e, como árabes, respeitamos os outros. Eles deveriam deixar esta área. Nós estávamos aqui primeiro e temos o direito de ficar aqui." De acordo com moradores de Silwan, como o comerciante Naief Salama, de 39 anos, israelenses se aproveitam da pobreza de muitas famílias para convencê-las a vender suas casas. "Nos últimos cinco anos a vida ficou mais difícil e o desemprego está aumentando. Algumas pessoas que têm vivido sob estresse por causa da pressão econômica recebem propostas quatro vezes mais altas do que o valor de suas casas e acabam vendendo suas propriedades", diz Salama. "A vida está ficando cada vez mais cara aqui. Um casal jovem não consegue mais comprar uma casa e muitas vezes nem arranjar emprego. Tenho certeza de que mais da metade da próxima geração vai deixar este lugar e este país, porque não vai conseguir sobreviver aqui." Segundo o Passia, vários judeus também usam um intermediador árabe para comprar as casas. Desta forma, muitas vezes a família vende sua propriedade sem saber que ela vai parar nas mãos de judeus. "Desconforto" A israelense Janin Navy, que mora na Cidade Velha, acredita que cristãos e árabes estão se mudando de Jerusalém por acharem a vida na cidade "muito desconfortável". "Estas pessoas muitas vezes moram em buracos de rato, em apartamentos minúsculos e recebem uma boa quantia de dinheiro por eles e se mudam para lugares maiores, mais afastados, ou para fora do país. É a vida, qual o problema nisso?", diz Navy. Ela diz que judeus estão comprando apartamentos e casas de árabes "porque têm uma tarefa na terra sagrada e sabem que este território é deles". O Monte do Templo, na Cidade Velha, é considerado o lugar mais sagrado no judaísmo, porque é o local onde ficava o Templo de Jerusalém. O muro da segunda construção do templo, conhecido como Muro das Lamentações ou Muro Ocidental, é o único vestígio visível nos dias de hoje. Navy também afirma que ninguém está sendo forçado a abandonar sua casa ou sua terra e que a Justiça israelense é muito rígida para evitar que isto ocorra. Porém não são apenas os judeus que consideram Jerusalém sagrada. A família do muçulmano Imad Yussef Jarallah mora na Cidade Antiga há quatro gerações. Ele se orgulha da vista da janela de sua casa, de onde pode ver a Cúpula da Rocha, de onde, segundo o Alcorão, Maomé ascendeu ao céu. A cúpula também fica no Monte do Templo, chamado pelos árabes de Haram al-Sharif. "O nosso sobrenome significa 'vizinho de Deus' em árabe. Viver ao lado da mesquita sagrada é estar próximo de Deus, e este lugar está diretamente ligado a Meca e Medina, os outros dois lugares sagrados para os muçulmanos", afirma Jarallah. "Nós queremos viver aqui, permanecer aqui, morrer aqui e ser enterrados aqui também. Nós estamos aqui antes dos israelenses. Eles têm de sair, e nós vamos ficar." |
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