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Atualizado às: 04 de junho, 2007 - 11h21 GMT (08h21 Brasília)
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Ex-soldados lembram conflito que consolidou força de Israel

Soldados israelenses com prisioneiro (foto de junho de 1967)
40 anos depois, envolvidos relembram o conflito
Em 10 de junho de 1967, último dia da Guerra de Seis Dias, entre Israel e países árabes, a maioria da população israelense sentiu que estava renascendo.

"Para a maioria de nós foi um milagre", afirmou o veterano Danny Rubinstein, soldado em 1967 e hoje analista político do jornal Haaretz, em entrevista à BBC Brasil.

"Em seis dias, nós enfrentamos todo o mundo árabe e sobrevivemos. Foi como um sonho que nós achávamos que jamais fosse virar realidade."

Naquele mesmo dia, os egípcios sentiam exatamente o oposto, como conta o então cadete militar Mohamed Kadri Said, hoje ex-general e analista militar do Centro Al-Ahram de Estudos Políticos e Estratégicos.

"Foi um fim terrível. Até hoje, quando leio a respeito ou vejo um filme sobre a guerra, não consigo me controlar. Foi algo que entrou muito profundamente nos nossos corações", diz Said.

O conflito entre Israel, de um lado, e Egito, Síria e Jordânia, do outro, durou apenas seis dias, mas permaneceu na memória de grande parte da população dos países envolvidos na guerra.

Surpresa e decepção

A surpresa dos isralenses e a decepção dos egípcios não são difíceis de entender quando se olha para os ânimos dos dois lados naquela época.

O analista do Instituto Judaico para Assuntos de Segurança Nacional, Giora Romm, que integrava a força aérea do Exército israelense em 1967, diz que, nos dias que antecederam a guerra, os israelenses não paravam de ouvir notícias de que os países árabes, liderados pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, iriam destruir Israel.

"O moral estava muito baixo, e os líderes civis falavam em milhares de mortos. Eu me lembro que o principal parque de Tel Aviv foi preparado para virar um cemitério temporário para a população da cidade. Todos perceberam que isto não era mais brincadeira de criança", afirma Romm.

Já os árabes estavam com o moral elevado, segundo Said. "Todos consideravam Nasser um herói e tinham muita confiança em seus soldados."

Os árabes também levavam vantagem nos números: além de somarem os Exércitos do Egito, da Síria e da Jordânia, eles contavam com o apoio de Iraque, Kuait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão. O Exército de Israel tinha cerca de um quarto do número de soldados dos inimigos.

Ataque preventivo

Mas, apesar da suposta superioridade, os países árabes ainda não haviam decidido se iniciariam mesmo um conflito com o Estado Judeu.

O Egito posicionou suas tropas na Península do Sinai e bloqueou a passagem de navios israelenses no Mar Vermelho, mas sem dar o primeiro passo no conflito.

Diante do que sentia ser uma ameaça iminente, na manhã de 5 de junho de 1967 Israel realizou um ataque preventivo contra os egípcios. Caças israelenses atacaram nove bases aéreas do vizinho, antes que os aviões saíssem do solo.

Muitos dizem que Israel venceu a guerra naquela primeira hora. "Foi extremamente importante, porque nós paralisamos aquelas bases aéreas", diz Romm.

"Naquela primeira hora de ataque, o Egito deixou de ser uma potência militar. Eles ainda tinham duas ou três divisões na península do Sinai, mas sem capacidade aérea essas pobres divisões estavam totalmente expostas ao nosso Exército."

Ainda no primeiro dia, Israel destruiu também a maior parte das forças aéreas da Síria e da Jordânia, e depois de outros cinco dias de batalhas, o Exército israelense acabou capturando a Península do Sinai do Egito, as Colinas de Golã da Síria e a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia.

Explicações

Especialistas militares têm inúmeras explicações para o resultado do conflito, que consolidou a supremacia militar israelense na região.

Zakariya Hussein, capitão no Exército egípcio em 1967, afirma que o governo egípcio não soube calcular o risco de iniciar uma guerra naquele momento, em que havia grandes divisões entre os líderes políticos e militares do país.

"Se os dois lados não estão em perfeita comunicação, isto se reflete em falta de responsabilidade e preparação. O governo começou a provocar a opinião pública e Israel sem ter um plano estratégico completo que nos levaria à vitória", diz Hussein.

O ex-general egípcio Said culpa também a falta de preparo das tropas pela derrota.

"Nós tínhamos mais soldados quando juntávamos as tropas de todos os países que lutaram contra Israel. Mas essas tropas nunca treinaram juntas. Além disso, do lado egípcio o nível de treinamento também não era bom."

Luta pela sobrevivência

As condições do Exército israelense eram bem diferentes, como explica Ephraim Inbar, diretor do Centro de Estudos Estatégicos da Universidade de Bar-Ilan.

"O Exército israelense tinha generais melhores, o que fez com que fosse muito bem orientado. Além disso, Israel teve três semanas para treinar suas reservas, que eram a grande massa da força militar", diz Inbar.

Inbar também afirma que o efeito-surpresa foi decisivo. "As táticas israelenses rápidas deixaram pouca opção para os egípcios se defenderem e, além disso, Israel sempre foi muito bom de improvisação."

Na opinião de Romm, os soldados também estavam extremamente motivados, porque lutavam pela sobrevivência do país.

Espaço conquistado

Os israelenses não apenas sobreviveram como conquistaram seu espaço no Oriente Médio, segundo Said.

"O mundo árabe percebeu que Israel não pode ser removido, porque é apoiado por potências mundiais e aceito por elas. Pode não ser aceito pelos árabes, mas é um fato. Ou seja, o sonho de remover Israel acabou ali", afirma o ex-general egípcio.

O Exército israelense também se consolidou como uma das maiores potências militares do mundo após a Guerra dos Seis Dias.

O Exército é um fator importante para a existência de Israel e, de acordo com Inbar, é a única força capaz de convencer os árabes a não destruir o país.

"Esta é a nossa melhor política de seguro. Nós vivemos no Oriente Médio, e o uso da força faz parte das regras do jogo."

O ex-comandante Romm concorda. "Nós não temos escolha, precisamos ser muito fortes militarmente e espero que continue assim enquanto não assinarmos tratados de paz com o resto do mundo árabe, que a minha geração, pelo menos, não vai ver."

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