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Refugiados na Jordânia enfrentam rotina de pobreza; assista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quando o Exército de Israel conquistou a Cisjordânia da Jordânia e a Faixa de Gaza do Egito, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, milhares de palestinos tiveram de abandonar suas casas nestas regiões. Muitos deles fugiram para a Jordânia, que é o país que abriga o maior número de refugiados palestinos no mundo, com cerca de 1,8 milhão morando ali. Milhares vivem em campos de refugiados, como o de Baqaa, o maior do país, com cerca de 90 mil moradores. Baqaa é um dos seis campos de emergência montados na Jordânia após 1967 para acolher os palestinos que se tornaram refugiados por causa da Guerra dos Seis Dias. Outros sete campos já existiam no país para acolher a primeira onda de refugiados palestinos, que foram expulsos ou deixaram suas casas após a criação do Estado de Israel, em 1948. Abaixo da linha de pobreza "Pobreza e desemprego são os maiores problemas aqui em Baqaa. O nível de educação dos moradores também é baixo, o que dificulta a busca por um emprego", diz Rafiq Kirfan, diretor do campo. A situação é pior entre as mulheres. De acordo com o Centro Palestino de Direitos do Cidadão, um terço das mulheres do campo não trabalha. O índice é quase o dobro da taxa de desemprego entre os homens. "Aqui os homens não gostam de deixar as mulheres saírem de casa para trabalhar em locais onde elas vão ter contato com outros homens", explica Kirfan. Um levantamento do centro palestino também indica que quase um terço dos refugiados do campo de Baqaa vive abaixo da linha de pobreza. A família de Anis al-Khatib está entre eles. Ele mora com a mulher, a mãe e 12 filhos em uma casa de alvenaria muito simples, com sala, uma pequena cozinha e três quartos. Al-Khatib tinha 16 anos quando foi obrigado a deixar a Cisjordânia por causa da invasão do Exército israelense, do qual ele guarda rancores até hoje. "Israel chutou as pessoas de suas casas. O país é um inimigo não apenas dos palestinos, mas de todos os árabes", diz Al-Khatib. Estado palestino Ahmad Ibrahim Noi-Saied também foi obrigado a deixar a Cisjordânia em 1967, quando tinha 27 anos, e conta que naquela época sua família se tornou refugiada pela segunda vez. "Meus pais moravam em Beersheba (no deserto de Negev, conquistado por Israel em 1948) e foram expulsos de lá quando os israelenses ocuparam o território. Depois de nos refugiarmos na Cisjordânia, tivemos de sair de lá quando os israelenses tomaram a região da Jordânia." Assim como a maioria dos moradores mais velhos do campo, Noi-Saied sonha em voltar à Cisjordânia: "Espero que haja logo um acordo de paz para que possamos voltar a viver juntos na nossa terra". Os palestinos querem que a Cisjordânia, considerada território ocupado pela comunidade internacional, seja transformada em um Estado palestino, que teria Jerusalém Oriental como sua capital. "Afundando na pobreza" Porém, 40 anos após a guerra, milhares de palestinos na Jordânia continuam sem perspectivas de uma vida melhor no futuro. Alguns não têm nem direito à cidadania jordaniana, o que impede que eles trabalhem no setor público ou que recebam atendimento médico em hospitais públicos. O porta-voz da agência de assistência a refugiados palestinos da ONU (UNRWA, na sigla em inglês), Matar Saqer, diz que existe uma lacuna entre as necessidades dos refugiados e as doações que a agência recebe para supri-las. "Esta lacuna está aumentando, porque a pressão está aumentando. Nossos doadores não estão doando menos, pelo contrário, mas as necessidades dos refugiados são cada vez maiores, porque eles estão afundando na pobreza", diz Saqer. Baqaa tem apenas duas clínicas médicas, com dez médicos e cerca de 50 enfermeiros e assistentes para atender cerca de 1,3 mil pacientes diariamente. "Faltam médicos. A proporção de pacientes em uma clínica do governo jordaniano é de 40 para cada médico. Em Baqaa é de 130. Portanto, os refugiados não estão recebendo o mesmo tratamento que os cidadãos jordanianos, como deveria ocorrer", afirma o porta-voz da UNRWA. Juventude conformada O campo tem 16 instituições escolares, mas apenas oito prédios para abrigá-las. "Portanto, de manhã os prédios são ocupados por cerca de mil alunos, juntamente com professores e todos os funcionários daquela escola, e à tarde todos saem para dar espaço para outros mil alunos, outros professores e funcionários", explica Saqer. Uma estudante de 13 anos do turno da manhã, que preferiu não dar seu nome, atribui a culpa pelas duras condições de vida da família a Israel. Ela pintou um quadro que mostra uma menina chorando com duas tendas ao fundo. Quando o campo de Baqaa foi criado, ele era composto por 5 mil tendas, para cerca de 26 mil refugiados. "Depois que meus pais me contaram sobre o que ocorreu em 1967 e como chegamos aqui, resolvi pintar este quadro, que representa que os refugiados palestinos não têm casa depois que foram expulsos da terra deles", diz a menina. Ela nasceu em Baqaa, assim como a maioria dos jovens que vivem no campo. Diferentemente de seus pais, muitos dos jovens aceitam o fato de morar em um campo de refugiados e não fazem questão de voltar à Cisjordânia. O padeiro Hazim Daas, de 33 anos, diz que todos em Baqaa têm raiva de Israel, mas ressalta que eles não podem fazer nada para mudar a situação atual. "Se a minha família puder voltar à Cisjordânia, eu vou junto. Mas eu não tenho muitas esperanças. Só estou certo de uma coisa: Deus vai cuidar dos israelenses", afirma Daas. |
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