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Água de coco | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Eu já contei. Passei a vida inteira no Rio e só vim a descobrir as delícias da água de coco depois de velho e da cidade distante. Sempre fui um homem chegado a refrescos e refrigerantes. Dos refrescos da falecida Simpatia (o de coco e de tamarindo) até, entre os gasosos, nosso guaraná. Continuo a ser e esse último pode ser encontrado a menos de 100 metros de onde digito estas linhas. Agora, só em 2006, foi que a água de coco me pegou finalmente. Ou melhor, deixei de ser burro, adquiri paladar de maior discernimento. Foi aqui em Londres e vinha numa caixinha tetrapak (embalagem que fez uma das maiores fortunas da Europa para dois irmãos suecos) prateada. Adquirida numa dessas ocasionais feiras de produtos nossos e de nossos vizinhos sul-americanos. Em Portugal, onde todos os anos, monotonamente, passo as férias, também tem guaraná. Muito guaraná, além de churrascarias com feijoada e rodízio. Mais: qualquer boteco prepara uma caipiririnha razoável. Agora, água de coco, não. Essa, tomada in natura, de canudinho, com as mãos em torno da fruta, quase que em sinal de veneração religiosa, só em agosto do ano passado nos quiosques de Ipanema. Tentei bater recorde mundial de águas de coco, que por um lapso freudiano meio explicável, eu vivo chamando de “leite de coco”. Eram 5 ou 6 por dia. Daí, como tudo que é bom chega a seu fim, voltei para Londres e gudibái água de coco. Até que… Uma certa latinha Até que no indiano da esquina (é paquistanês, claro) apareceram umas latas de água de coco. É, latas. Peguei uma para experimentar. Sou meio doidão. Sensacional. Dava para quebrar o galho. Dava para estraçalhar o raio do galho. Voltei e comprei as outras 4 que ele ainda tinha. Sim, era um pouco mais doce do que o produto original, mas continha uns pedacinhos da polpa do coco e isso dava uma graça a mais ao precioso líquido. Fui inventar história. Botei o conteúdo (350 ml) num copázio, atochei de gelo e tomei de canudinho. Só faltavam sol, areia, nordestino com facão, um assalto nas cercanias, mulheres bonérrimas, palmeiras, Ipanema, Rio de Janeiro e o Brasil. O resto era igualzinho. Depois resolvi variar. Já que vinha em lata e tinha um anel para a gente abrir, afim de evitar comparações estraga-prazeres tomei “in natura latorium” mesmo o, conforme ele se chama, coconut juice, ou ainda, jus de noix de coco. Da marca “Foco”. Depois de ultragelada, claro. Melhorou muito. Hoje, eu chego no “indiano” e eles já sorriem de olho no meu rico dinheirinho: 89 pence a lata, ou seja, pouco menos de 2 dólares. Vale. A latinha de guaraná sai por 90 pence e tem alguns mililitros a menos. Por curiosidade, das mais saudáveis, faço questão de frisar, comecei a esmiuçar o produto. Diante de mim está uma lata e passo adiante os dados que dela chupei com um metafórico canudinho nos lábios. Trata-se de um produto da Thai Agri Foods e, como o nome indica, vem da Tailândia. Recomendam servir bem gelado e sacudir a lata antes. Quem cuida da importação é a Chada Oriental Foods, de Hertfordshire. O rótulo, além do inglês, se anuncia também em francês, alemão e holandês. 80% de água de coco pura, mais água simplesmente, açúcar, polpa e os preservativos químicos de sempre a que todos nós estamos não só sujeitos como também acostumados, para não dizer viciados. Um aviso em letras pequenitas para os portadores de alergias: contém dióxido sulfúrico. E daí? Conforme se dizia na época do Grapette (esse também foi bom) quando algo caía no chão e a gente pegava correndo para comer: o que não mata, engorda. Uma coisa eu garanto: o coconut juice, entre outras coisas, é um excelente diurético. |
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